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Povos da América Pré-Colombiana

 

 

OS ASTECAS

Os mistérios de um povo sábio

 

 

Cristina Vieira – Série Culturas, Histórias & Mitos

 

 

Diferente do Brasil, onde Pedro Álvares Cabral se deparou com nativos em estágio primitivo, quando Cristóvão Colombo descobriu a América, em 1492, o continente era habitado há muito tempo por várias civilizações e povos. Chamados de pré-colombianos, eles apresentavam diferentes estágios de desenvolvimento cultural e material.

Dentre eles, destacaram-se três: os maias e os astecas no México, e na América Central, e os incas na Cordilheira dos Andes, na América do Sul. Esses povos alcançaram notáveis conhecimentos de astronomia e matemática, além de dominar técnicas complexas de construção, metalurgia e cerâmica.

Embora não conhecessem a roda e o cavalo, desenvolveram técnicas eficientes de agricultura. Enquanto o fim da cultura mais permanece um mistério, sabemos que os astecas e incas decaíram no processo implacável de conquista espanhola. Confira, a seguir, a complexa e intrigante história dos astecas, uma das mais fascinantes civilizações da Antiguidade.

 

 

Capítulo I

 Uma história complexa e intrigante

 

Destruição

A civilização asteca dominou boa parte do que hoje conhecemos como México até o século 15. Até que os conquistadores espanhóis, em nome do reino da Espanha, avançaram na direção dos povos indígenas do novo continente.

O império asteca foi completamente destruído precisamente entre os anos de 1519 e 1521, quando então estava sob o reinado de Montezuma II. Seus vencedores foram o líder espanhol Hernán Cortés, seus soldados e os aliados mexicanos.

 

Riqueza

A ser dizimado pelos espanhóis, o povo asteca também conhecido como “mexicanas” – deixava para trás uma história rica e complexa cultural e materialmente, de domínio no centro e no sul do México entre os séculos 14 e o século 16.

Trata-se de uma história que continua a impressionar quase 500 anos depois, devido especialmente ao vasto império altamente organizado que se instalou e intriga até hoje pela sofisticação que aquele povo conseguiu alcançar

 

Versões

Historiadores latino-americanos apontam diversas versões que atribuem o nome asteca ao de um lugar mítico situado possivelmente ao norte do México atual. Esse lugar era chamado Aztlán. As origens da civilizações asteca remontam aos séculos 10 e 11, quando povos primitivos começaram a se concentrar na região central do México, ao redor do lago Texcoco.

 

Pântano

Os astecas se estabeleceram na zona mais pantanosa, situada do lado oeste do lago Texcoco. Estavam rodeados de inimigos poderosos que exigiam pesados tributos. A única terra seca que ocupavam eram ilhotes do lago. Ou seja, essa é uma história que começou em meio à adversidade e foi com engenho, talento e força que aquele povo se impôs sobre os demais.

 

Inóspita

Mesmo numa região tão inóspita, os astecas foram capazes de consolidar um império poderoso em apenas dois séculos. Muitos atribuem a sua força à crença de uma lenda segundo a qual uma grande civilização nasceria em uma zona pantanosa, onde teria sido avistado um cactos sobre uma rocha e sobre a qual uma águia devorava uma serpente. Sacerdotes antigos haviam feita a previsão assim que chegaram à região em que começou a ser edificada aquela civilização. Como reflexo da continuidade da tradição, esse é até o símbolo oficial do México, estampado em lugares como cédulas e moedas.

 

Florescimento

Da lenda mitológica ao florescimento da civilização asteca, muito se avançou em relação à sua organização social, cultural e política. Como, por exemplo, o fato de os astecas terem estabelecido organizações civis e militares bastante superiores. Um dos marcos de sua história aconteceu no decorrer do ano de 1325, quando fundaram a cidade de Tenochtitlán, situada exatamente onde se encontra hoje a Cidade do México, capital do país.

 

Leito

Como engenho e perseverança, os astecas transformaram o leito do lago, que era pouco profundo, em jardins muito férteis. Construíram pontes para conectar a sua principal cidade com terra firme. Ergueram aquedutos e escavaram canais para o transporte de mercadorias e pessoas. E construíram também templos religiosos – pirâmides gigantescas que dominavam a vasta paisagem.

 

Localização

A cidade floresceu como resultado de sua localização e do alto grau de organização. Para se ter idéia, na época em que os espanhóis, capitaneados por Hernán Cortés, começaram a conquista da região, o grande mercado de Tlatelolco atraía aproximadamente 60 mil pessoas diariamente.

As mercadorias chegavam em mãos astecas graças aos acordos sobre tributos estabelecidos com os territórios conquistados. Muitas dessas mercadorias eram exportadas a outras zonas do império asteca e a América Central.

 

Federação

Em 1428, formaram uma federação dos reinos de Tenochtitlán, Texcoco e Tlacopán, dominada por um soberano asteca que ocupou gradualmente as regiões vizinhas submetendo, até o início do século 16, quase todo o México central. Extremamente próspero e altamente hierarquizado, esse Estado se tornou uma monarquia aristocrática dominada pela religião. O México atual não corresponde exatamente ao que foi o império asteca, pois o país de hoje é muito maior do que o império asteca jamais foi. A península de Yucatán, por exemplo, nunca foi dominada por esse povo pré-colombiano.

 

Núcleo

A península da Califórnia também não. No núcleo do México, na época asteca, existiam também áreas livres incrustadas em seu coração, como era o caso de Tlaxcala. Durante o seu domínio, os astecas se fortaleceram ao estabelecer alianças militares com outros grupos. Assim, eles construíram um império que se estendia da região do México Central até a atual fronteira com a Guatemala.

 

Poder

No princípio do século 15, os astecas governavam as cidades-estados de Texcoco e Tlacopán. Em um período de 100 anos, eles alcançaram o poder total e, embora as demais cidades-estado continuassem a se chamar de reinos, a denominação, na verdade, era puramente simbólica. Ao final do reinado de Montezuma II, os astecas já haviam se estabelecido em nada menos que 38 províncias tributárias no império. Alguns povos da periferia lutaram durante muito tempo com o propósito de manter sua independência.

 

Conflitos

Essas divisões e conflitos internos no seio do império facilitaram sua derrota frente a Cortés, já que muitos povos, inimigos dos astecas, se aliaram aos conquistadores espanhóis na tentativa de vencer os eternos senhores.

Além dos problemas internos que contribuíram para a sua queda, há diversas versões segundo as quais o imperador Montezuma teria agido com certa ingenuidade ao receber amigavelmente o implacável conquistador Hernán Cortés.

 

Inimigo

Montezuma instalou o chefe inimigo junto a suas capitais nos melhores palácios do império. Existe a versão de que Montezuma teria se confundido, pois havia a lenda do regresso do deus Quetzalcóatl. E, ao surgir Cortés, ele imaginou que pudesse ser ele, conforme as previsões dos antigos sábios. Alguns achados arqueológicos têm ajudado muito os pesquisadores a aprenderem mais sobre a história da região. É o caso dos crânios de cristal, de estrelas encontradas com inscrições hieroglíficas, calendários e tudo o que resistiu à ação do tempo, dos saques espanhóis e às fogueiras dos missionários

 

Ruínas

Historiadores acreditam que na própria Cidade do México, que foi edificada sobre as ruínas de Tenochtitlán, existam diversos tesouros soterrados dos povos pré-colombianos. Uma possibilidade, aliás, que não é possível de acontecer. Durante um simples escavação para a realização de uma obra no centro velho da cidade, por exemplo, foram encontradas por operários várias peças preciosíssimas, totalmente desconhecidas, como o calendário religioso asteca.

 

 

Capítulo II

 A Sociedade Asteca

 

 

Linhagem

Entre os astecas, a célula da sociedade era o clã, formado por pessoas de uma mesma linhagem e governado por um ancião. Os astecas possuíam divindades particulares, formação militar e a terra era considerada como domínio estatal do qual os indivíduos tinham usufruto, devendo pagar tributos e prestar serviços à nobreza e ao soberano. A autoridade política, militar e religiosa centralizavam-se nas mãos de um chefe supremo, sempre escolhido de uma mesma linhagem. A centralização era marcada por uma rede de estradas muito bem desenvolvida.

 

Divisão

No auge da sociedade asteca, pelo decorrer de muitos anos, cresceu consideravelmente a divisão entre nobreza e o povo, formando-se grupos sociais novos e privilegiados, como os funcionários públicos, os artesãos e os mercadores. Abaixo deles estavam os chamados cidadãos livres,  mas submetidos à cobrança de tributos. Os grupos de homens sem terras, que trabalhavam para um senhor,  vinham a seguir na hierarquia social. E, abaixo de todos, estavam os escravos.

 

Soberano

No topo dessa estrutura social e econômica, estava o soberano assistido por um primeiro-ministro – que era, ao mesmo tempo, juiz supremo e comandante do exército – e por quatro conselheiros eleitos com o soberano.

Ao contrário de outras civilizações, a nobreza asteca não era uma casta inteiramente fechada, sendo possível a elevação a seus quadros aos indivíduos que se distinguissem em façanhas guerreiras.

 

Escravo

O estado de escravo entre os astecas era similar ao de um criado contratado. Embora os filhos dos pobres pudessem ser vendidos como escravos, isso só podia acontecer por um período determinado.

Os escravos podiam comprar sua liberdade e, de modo bastante curioso, todos aqueles que conseguiam escapar de seus senhores e chegar até ao palácio real obtinham a liberdade imediatamente.

 

Terreno

Aos plebeus era dada a propriedade vitalícia de um terreno em que construíam sua casa. Porém ás classes mais baixas dos plebeus não era permitido ter propriedades.

Eram camponeses em terras arrendadas. A nobreza consistia em nobres de nascimento, pelos sacerdotes e pelos que haviam ganhado o direito a se tornar um deles – especialmente os guerreiros.

 

Guerreiros

O imperador possuía poder limitado, que abarcava todas as pessoas e todas as coisas. Junto a ele, os guerreiros e sacerdotes formavam o grupo social de maior poder. Os guerreiros eram o principal apoio ao imperador, o que permitiu a criação de um império muito poderoso, porém asilado politicamente. Na civilização asteca, também existiam grupos sociais intermediários. Havia os comerciantes enriquecidos da capital que conseguiam ascender socialmente trocando suas riquezas por prestígio nas festas que organizam e oferecendo algum de seus escravos como vítima de um sacrifício ritual – coisa pouco freqüente, porque custava muito.

 

Educação

No império asteca, a educação era obrigatória. As meninas eram educadas por suas mães em casa para realizar as tarefas do lar. Somente as filhas da nobreza podiam freqüentar uma espécie de monastério onde viviam até o momento do matrimônio. Para os meninos havia dois tipos de escolas: telpochcalli e calmecac. Na primeira, eles passavam o dia na escola, mas dormiam em casa. O segundo modelo funcionava como internado praticamente reservado aos nobres. A essência da religião era muito importante, mas também se aprendia escrita, leitura, história e música.

 

Aspectos

Para entender a vida de um povo, um dos aspectos mais interessantes de estudar é a sua alimentação. Dentre as mais famosas iguarias da cozinha asteca, estavam o milho, o feijão, o tomate, os perus, os cachorros, os coelhos e o chocolate. Nenhum desses alimentos era conhecido dos europeus antes da conquista do império asteca. A maioria de tais alimentos era diferente dos que é hoje. É o caso do milho que ao contrário do formato atual, ou seja, grandes espigas de sementes duras, era menor, com espigas moles, sendo depois de cozido, comido como sabugo e tudo. O cereal só se modificou como desenvolvimento do hibridismo, o que aumentou suas propriedades nutritivas.

 

Amargo

O chocolate também era diferente do atual. Além de não ser de leite (uma vez que os astecas não tinham vacas) e, por esse motivo, era amargo e bem preto, ele também não era sólido, mas sim um líquido quente e grosso, que se bebia depois das refeições, especialmente no inverno. A utilização dos cachorros pelos astecas não era a mesma que a européia, pois enquanto os europeus desde os mais remotos tempos utilizavam os cachorros como companheiros, caçadores e guardas, os astecas utilizavam-nos como rebanho. A maioria era morta ainda filhote, para ser degustada.

 

Cachorros

Os cachorros eram o prato preferido dos astecas. Quando chegaram a Tenochtitlán, devido aos maus momentos que passaram, incluindo privações terríveis, os astecas foram obrigados a adotar uma dieta a base de peixes do lago Texcoco, aves do mesmo lago e pequenos animais como sapos, rãs e mesmo insetos de todos os tipos, desde moscas até mosquitos. A pimenta era conhecida, assim como o tomate, ambos usados como tempero. Os perus eram apreciados em todos os sentidos, pois sua carne era comida e suas penas utilizadas como plumas para os que tivessem autorização de ostentá-las. Os astecas se alimentavam também de carne e ovos, além de frutas diversas.

 

Pratos

A maioria desses pratos não estava ao alcance de boa parte da população asteca. Isso se explica porque eram muito caros, então só eram consumidos pela aristocracia. O cidadão comum tinha sua alimentação baseada em bolos de milho e feijão, muitas vezes temperados com pimenta e tomate, sendo que raras vezes consumiam carne ou outro tipo de alimentos.

 

Leis

As leis astecas eram muito severas. Como em outras culturas antigas, os castigos eram diferentes, segundo fosse o delito de quem o cometia. Geralmente o castigo era mais duro se quem cometia o delito era um funcionário ou nobre importante. Existia a pena de morte para os delitos de assassinato, traição, aborto, incesto, violação, roubo com fratura e adultério. No último caso, se procedia a lapidação, embora a mulher fosse estrangulada previamente. Os guerreiros podiam escapar da pena de morte aceitando um destino permanente na zona fronteiriça.

 

Delito

A embriaguez era considerada delito. Só era permitida em algumas circunstâncias especiais, para os anciãos ou guerreiros profissionais. O castigo podia ser a morte. No entanto, se fosse a primeira vez que alguém cometia essa falta, tinha sua cabeça raspada. As leis regiam até mesmo a vida sexual do povo asteca. Só eram permitidas duas formas de relações sexuais – as que ocorriam dentro do casamento, e as que os guerreiros solteiros tinham com sacerdotisas dedicadas a prostituição ritual.

 

Proteção

Estas últimas estavam protegidas pela deusa Xochiquétzal, apresentavam-se adornadas e maquiadas e proporcionavam ao homem alucinógenos e afrodisíacos que estimulavam seu apetite sexual. Sempre mantinham esse tipo de relação antes que os guerreiros partissem para a batalha. O adultério era duramente castigado. É importante ressaltar os principais aspectos da economia asteca. Agricultores hábeis, os astecas conheciam o alqueive – isto é, a prática de deixar terras agrícolas em repouso em certos períodos para recuperar sua força produtiva – e a irrigação.

 

Jardins

Os astecas cultivavam jardins flutuantes e procediam a divisão periódica das terras. Suas principais culturas era o milho, melões, baunilha, pimentas, abóboras, entre outros. A criação de animais era restrita (cães e perus), e o comércio era muito desenvolvido, fundado sobre a troca de produtos manufaturados na capital e matérias-primas produzidas nas províncias. A metalurgia do ouro, da prata, do cobre e do estanho também era muito desenvolvida. Os tributos em espécies, pagos pelas 35 províncias, forneciam grandes riquezas que eram acumuladas nos armazéns reais.

 

 

 

Capítulo III

 A religião Astecas

 

 

Diária

Na religião asteca, vários deuses regiam a vida diária. Entre eles, estava Huitzilopochtli, considerado a divindade do sol, e Coyolxahuqui, a deusa da lua, que, segundo a mitologia asteca, era assassinada pelo irmão, Deus-sol. Existia Coatlicue, a deusa da terra, Huitzilopochtli, deus da guerra. Outro era Ipalnemoani, a força suprema. Existiam ainda Tláloc, a divindade da chuva, e Quetzalcóatl, inventor da escrita e do calendário, associado com o planeta Vênus e sua ressurreição.

 

Sacrifícios

Os sacrifícios praticados pelos astecas, tanto humanos quanto de animais, eram parte integrante de sua religião. Para os guerreiros a honra máxima consistia em cair na batalha e se oferecer como voluntário para o sacrifício em cerimônias importantes. De acordo com sua tradição, as mulheres que morriam no parto compartilhavam a honra dos guerreiros. Também se realizavam guerras com o fim de fazer prisioneiros para o sacrifício.

 

Oferenda

O sentido da oferenda de sangue humano – e, em menor medida, de animais – era alimentar as divindades para assegurar a continuidade de sua aparição todos os dias e com ela a permanência da vida humana, animal e vegetal sobre a terra. Cada aspecto da vida sexual dos astecas estava associado a um deus diferente. Assim, Xochipilli era o deus das flores, do amor, da fertilidade e das relações sexuais ilícitas.

 

 Esposa

Assim também era sua esposa, Xochi-quétzai, quem além disso, era também protetora da prostituição. Tinha-se também Tlazoltéoti, deusa do prazer, da voluptuosidade, da fecundidade e da fertilidade. Protegia as parturientes, as parteiras, aos feiticeiros relacionados com o mundo amoroso e aos homens de intensa atividade sexual.

Cada fenômeno atmosférico também era associado a um deus – havia Tláloc, das chuvas; Quetzalcóati Ehecalt, dos ventos. Segundo os astecas, só se vivia uma vez, e a vida está cheia tanto de sofrimento quanto de alegria e a única maneira de perdurar após a morte era alcançar a fama, ainda que essa mesma fama desapareça quando morrem os que recordam o defunto.

 

Tradições

Na América pré-colombiana, muitos povos cultuavam tradições relativas ao fim da humanidade. Tradições essas, aliás, que, no passado, estavam sempre presentes no cotidiano humano. Foi assim com persas, que temiam o fim do mundo nas garras de Arimã; com os cristãos, que temiam (e alguns ainda temem) a chegada do anticristo e o chamado apocalipse, com os vikings, que temiam que seus deuses morressem numa guerra celestial e foi assim com muitos outros povos ao longo dos tempos.

 

Tormento

Os astecas viviam com o tormento do fim do mundo; ou, como eles chamavam, do fim do sol sobre suas cabeças. Para eles, a humanidade atual seria a quinta, tendo, portanto, sido precedida por outras quatro.

A cada ciclo de 52 anos, segundo a mitologia mexicana, o mundo corria sério risco de extinção, pois isso já havia ocorrido outras vezes no passado. Na realidade, o primeiro Sol, chamado naui-ocelotl (quatro-jaguar), teria sido destruído pelos jaguares. Isso mesmo, os grandes felinos mexicanos teriam descido das montanhas e devorado a humanidade.

 

Vento

O segundo Sol, chamado naui-eecatl (quatro-vento), teria sido destruído por Quetzalcóatl, o deus do vento, que teria soprado sobre o mundo um vento mágico que transformou a humanidade em macacos.

O terceiro Sol, chamado naui-quiauitl (quatro-chuva), teria sido destruído por Tláloc, o deus da chuva, da água, do raio (de tudo relacionado à água, inclusive doenças), teria criado um imenso dilúvio que teria submergido o mundo em águas destruindo toda a humanidade.

 

Dilúvio

Do gigantesco dilúvio, que durou 52 anos, sobreviveram apenas um homem e uma mulher. No entanto, a humanidade não descende deles, pois, por terem sobrevivido, contrariando o desejo dos deuses, Tezcatlipoca os teria transformado em cães. O nosso mundo, ou nosso Sol, denominado naui-ollin (quatro-terremoto) teria sido recriado pela bondade de Quetzalcóatl, que resgatou do inferno (reino do deus Mictlantecuhtli) os ossos dos mortos e, resgatando-os com seu próprio sangue, restaurou-lhes a vida para reinar entre eles. Porém, como vimos anteriormente, Tezcatlipoca expulsou-o para Tlillan Tlapallan, de onde prometeu voltar para resgatar seu trono.

 

Cerimônia

Para impedir nosso mundo de ser destruído, coisa que os astecas acreditavam que pudesse acontecer a cada 52 anos, eles faziam uma cerimônia especial chamada de Fogo Novo. Em todas as casas, apagava-se o fogo e se quebrava toda a louça. Enquanto isso, os sacerdotes escolhiam um prisioneiro para ser sacrificado e o conduziam até o topo do monte Uixachtecatl.

 

Sacrifício

Lá o prisioneiro era sacrificado, tendo seu peito aberto por uma faca de sílex. Depois, um dos sacerdotes pressionava uma tocha acesa contra o peito aberto do indivíduo (às vezes ainda vivo) quando o fogo da tocha se apagava, era considerado aceso o Fogo Novo.

Para festejar, cada família reacendia seu fogo e comprava louças novas, enquanto que o Tlatoani realizava alguma obra (geralmente a ampliação do Grande Templo) como forma de expressar sua gratidão aos deuses por mais 52 anos de existência.

 

Marcha

Foi possível mapear que,  no total, foram realizadas sete cerimônias do Fogo Novo – precisamente nos anos de 1195, 1247, 1299, 1351, 1403, 1455 e 1507. A primeira delas aconteceu enquanto os astecas ainda estavam em marcha para o México.

A oitava cerimônia, que estava prevista para o ano de 1559, não se realizou porque o império asteca já havia sido completamente conquistado pelos espanhóis.

  

 

 

Capítulo IV

 A cultura asteca

 

 

Idioma

Os astecas falavam um idioma chamado náhuatl. Sua escrita mesclava sinais como pictogramas, ideogramas e signos fonéticos. Em seus escritos estavam refletidos sua história, geografia, economia e religião. Alguns códigos se mantiveram até os dias atuais. Utilizavam a escrita pictográfica gravada em papel ou pele de animais. Até hoje se conservam alguns desses escritos, chamados códices. Também utilizavam um sistema de calendário que havia sido desenvolvido pelos antigos maias.

 

Nulos

Possuíam 365 dias, divididos em 18 meses de 20 dias, aos que se somavam cinco dias nulos que eles acreditavam atrair má sorte. Usavam igualmente 260 dias – 20 meses de 13 dias – que aplicavam exclusivamente para adivinhações. A educação era muito restrita e se impunha desde os primeiros anos. Às mulheres era exigido que fossem discretas e recatadas em seus modos e roupas e no vestir e se ensinavam todas as modalidades dos afazeres domésticos que, além de moer e preparar os alimentos consistia em descaroçar o algodão, tecer e confeccionar a roupa da família.

 

Vocação

Aos homens astecas se inculcava a vocação guerreira. Desde pequenos se formavam para que fossem fortes, de modo que os banhavam com água fria, os abrigavam com roupa ligeira e dormiam no solo. A maneira dos antigos gregos, procurava-se fortalecer o caráter dos meninos por meio de castigos severos e o do fomento dos valores primordiais, como amor e verdade, justiça e dever, respeito aos pais e aos anciãos, recusa à mentira e à libertinagem, misericórdia com os pobres e os desvalidos.

 

Códigos

Os jovens aprendiam música, balés e cantos, além de religião, história, matemáticas, interpretação dos códigos, artes marciais, escrita, conhecimento do calendário, entre outras disciplinas. Os poemas astecas podiam ser recitados ou cantados no ritmo de tambores e trombetas. Algumas vezes incluíam palavras que não tinham nenhum significado e que somente produziam ritmos.

 

Poetas

Frequentemente eram dedicados aos deuses, mas também tratavam de temas como a amizade, a guerra, o amor e a vida. Alguns reis foram poetas famosos, como Nezahualcoyotl de Texcoco (1402-1472). A astronomia era uma das ciências de mais tradição para os astecas. Graças a suas observações, determinaram com precisão as revoluções do Sol, da Lua, de Vênus e, talvez, de Marte. Agruparam as estrelas e constelações – que não coincidem com as nossas. Conheceram a existência dos cometas, a freqüência dos eclipses do Sol e da Lua, e puderam criar um complexo calendário.

 

Meteorologia

A intensa observação do céu permitiu a eles também desenvolver conhecimentos de meteorologia, e assim predizer o tempo frio e estabelecer as características dos ventos dominantes.

Como já vimos cada fenômeno atmosférico era associado a um deus. A medicina teve também um grande desenvolvimento na civilização asteca. Com seu conhecimento da natureza, seus curandeiros distinguiram propriedades curativas de ação no corpo humano em diversos minerais e plantas.

 

Extração

Os sacrifícios humanos religiosos, que incluíram a extração do coração e o desmembramento do corpo, favoreciam um bom conhecimento da anatomia. Por esse motivo, os astecas sabiam curar fraturas, mordidas de serpentes. Possivelmente, houve uma categoria profissional semelhante à dos dentistas, encarregados de cuidar dos dentes.

 

Partos

Embora a medicina tenha sido praticada por homens e mulheres, é possível que somente as mulheres pudessem se encarregar de ajudar nos partos.

A medicina esteve muito ligada à magia, mas o feito de não atribuir a causa cientificamente correta a cada enfermidade não significou que não se aplicasse o remédio conveniente.

 

Física

Graças a seus conhecimentos de física, os artesãos astecas podiam empregar várias técnicas em seu trabalho, como, por exemplo, fundir metais do tipo ouro com prata.

Elaboravam todo tipo de figuras, adornos, pulseiras, colares, pendentes. Frequentemente, o metal era combinado com pedras preciosas, como turquesa, jade, cristal ou com conchas.

 

Arquitetura

No campo da arquitetura, os astecas construíram pirâmides escalonadas em Cholula, Xochicalco e Teotihuacán. Os astecas também foram hábeis escultores.

Realizavam esculturas de todos os tamanhos, diminutas e colossais, e nelas aplicavam temas religiosos ou da natureza. Captavam a essência do que queriam representar e logo realizavam suas obras com todo detalhe.

 

Relatos

A maior parte do que sabemos sobre a arquitetura asteca remete a relatos dos conquistadores espanhóis, já que Tenochtitlán foi inteiramente destruída em 1521.

No entanto, sabe-se que a técnica de construção asteca era diferente da construção de Teotihuacán, uma vez que, naquela cidade, os templos eram construídos de uma só vez, enquanto que em Tenochtitlán, os astecas iam ampliando os templos à medida que sua tecnologia permitia.

 

Templo

Assim, a pirâmide de Tenochtitlán havia sido antes apenas um pequeno templo, que após sucessivas ampliações (cinco no total) tornou-se uma grande pirâmide. Cada ampliação ocorria de acordo com uma crença religiosa de que o mundo acabaria a cada 52 anos.

Os palácios astecas eram semelhantes aos de outras culturas mesoamericanas, ou seja, constituíam-se grandes estruturas de pedra, divididas em vários cômodos muito grandes dentre os quais se contavam além de quartos e salas, zoológicos (com animais raros) e inúmeros jardins, com fontes e até lagos.

 

Obra-prima

Os 20 km de cidade de Teotihuacán são considerados a obra-prima dos astecas, um povo hábil em obras monumentais. No legado dessa civilização singular, destacam-se as Pirâmides do Sol e da Lua.

Desde a sua construção, no século II a.C., Teotihuacán esteve envolta em uma aura divina. Situada em um vale cercado de montanhas e sobre uma rede de cavernas subterrâneas, Teotihuacán, ou “lugar dos deuses”, era considerada o berço do Sol, da Lua e do próprio tempo.

 

Interação

Exemplo máximo da interação entre ambiente natural e criação humana, a Pirâmide do Sol foi erguida sobre uma caverna em forma de trevo de quatro folhas, o que lhe imprimiu caráter sagrado, com seus 222x225 metros de largura por 63 de altura.

Seus construtores ainda projetaram a obra para que a luz do sol incidisse verticalmente em seu centro em determinados dias. Segundo maior edifício do vale, a Pirâmide da Lua possui estilo típico de Teotihuacán: a combinação de planos inclinados e horizontais, talud-tablero, mede 120x150 metros de largura e 43 metros de altura.

 

Apogeu

O século 13 da era atual marcou o apogeu de Teotihuacán, que abrigou mais de mil pessoas. As largas ruas seguiam um traçado tão rígido que foi preciso desviar o curso de um rio para que não interferisse no paralelismo das vias. Além de templos, edifícios administrativos e prédios residenciais, Teotihuacán contava também com dois locais para reuniões – A Cidade e o Grande Conjunto.

 

Incêndio

Misteriosamente destruída por um incêndio, a cidade influenciou o império séculos mais tarde. Prova disso é que o último imperador asteca, Montezuma II peregrinava desde a capital do império Tenochtitlán, distante cerca de 50 km. Quanto à ourivesaria, nas próprias palavras do conquistador Cortés, “tão natural o ouro e a prata que não há ourives no mundo que melhor fizesse”.

 

Deuses

Nas esculturas de grande tamanho representavam deuses e reis. As de pequeno tamanho se reservavam para a representação de animais e objetos comuns. Usou-se pedra e madeira e, em ocasiões se enriqueciam com pintura de colares ou incrustações de pedras preciosas. Na pintura asteca, o uso da cor era fundamental. Tratava-se de uma cor plana, sem matizes nem sombras, e possivelmente conotações simbólicas. Aparece ligada à arquitetura, decorando os edifícios.

 

Circo

Assim como os romanos, os povos astecas também tinham uma espécie de circo emTenochtitlán, sua grande metrópole. Era nessa arena que praticavam o mais popular esporte mexicano. Inventado pelos maias, ele foi praticado por diversos povos, inclusive pelos astecas, que construíram sua arena em plena praça cerimonial de sua capital. Era um esporte cujo nome era tlachtli, mas que é conhecido hoje como “a Bola Maia”.

 

Campo

Consistia num jogo onde dois times se confrontavam num campo em forma de “T”. A forma do campo imitava aquilo que os astecas acreditavam ser a forma do céu.

No campo, os adversários disputavam a posse de uma bola de borracha maciça (tão dura que chegava a quebrar ossos de alguns jogadores e a matar se batesse na cabeça), que não podia ser segurada, apenas tocada de um para o outro, com a ajuda dos joelhos, cotovelos e quadris. Os jogadores utilizavam protetores de couro e madeira nessas regiões.

 

Bola

O objetivo do jogo era passar a bola por uma argola de pedra na parede protegida pelo time adversário. Quando uma “cesta” era feita – à semelhança do basquete –, o jogo acabava e o autor do ponto tinha direito de ficar com todas as jóias dos espectadores.

Estes, por sua vez, sempre fugiam ou iam assistir à partida com poucos pertences, para não ficar sem suas coisas. Com efeito, o tlachtli era uma maneira de se enriquecer em Tenochtitlán. O tlachtli inspirou a criação, no século 20, do vôlei e do basquete, por não ser permitido prender a bola, apenas tocá-la, e pelo objetivo ser fazer “cestas” (ou pontos).

 

Nobreza

Além do tlachtli, que era o esporte preferido dos astecas, mas praticado principalmente pela nobreza, havia outros esportes. Podemos citar o patolli, que era um jogo de tabuleiro muito praticado pelas camadas populares, no qual o objetivo era colocar três peças em seqüência.

Havia competições como subir no “pau-de-sebo”. Em todas essas disputas, havia grandes apostas, sendo que existia em Tenochtitlán uma verdadeira bolsa de apostas, que enriqueceu muitos, mas condenou muitos outros à escravidão por dívidas.

 

Platéias

Apesar de não ser considerado propriamente um esporte, havia um tipo de sacrifício que atraia platéias que, além de cultuarem o deus para o qual o sacrifício estava sendo feito, também torcia (para isso, era proibido fazer apostas). Consistia numa espécie de luta de gladiadores, onde o indivíduo que iria ser sacrificado tinha o pé amarrado a uma pesada argola de madeira e, armado com armas de brinquedo, era obrigado a enfrentar quatro guerreiros. Quando morresse, era considerado sacrificado para os deuses.

 

Realidade

O conquistador estava certo. Na realidade os astecas foram surpreendidos pelos espanhóis em pleno apogeu da Idade do Bronze, dominavam com perfeição as técnicas de fundição e forja de diversos metais, no entanto, o ferro anda não era conhecido. Os astecas também consideravam valiosas as plumas de aves, sendo estas incluídas na ourivesaria. As plumas tinham um valor tão grande dentro da cultura local que serviam mesmo como divisor social, sendo atribuída a cada classe um tipo de pluma e sendo empregadas pesadas punições aos que utilizassem plumas relativas a uma classe hierarquicamente superior à sua.

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OS MAIAS 

Os Gregos da América

 

 

 

Lucia Pereira – Série Culturas, Histórias & Mitos

 

 

 

Maias, incas e astecas foram os povos pré-colombianos que se destacaram no continente americano pela grandiosidade e complexidade de sua cultura, religião e ciência. Além de grandes conhecedores de técnicas agrícolas e de guerra, eles conquistaram povos e difundiram seus costumes pelas regiões da América Central e do Sul. Os três foram praticamente dizimados pelos espanhóis a partir de 1500. mesmo assim, traços de suas culturas permanecem até hoje para revelarem sua magnitude.

 

A civilização maia é considerada uma das mais misteriosas e influentes culturas antigas do mundo ocidental. Os maias habitaram e governaram o território onde corresponde ao México, Guatemala, Honduras e El Salvador. Seu auge se deu no período de 600 a 900 d.C. seu declínio e desaparecimento, no século XVI.

 

Um exemplo de seu esplendor foi que tiveram uma sociedade rígida semelhante aos moldes de outros povos de sua época em outros continentes – África, Ásia e Europa. A classe mais baixa era a dos escravos que formaram a mão-de-obra para a construção de suas colossais pirâmides escalonadas, em cujo topo ficavam os templos consagrados à adoração de vários Deuses. Ao mesmo tempo, suas cidades desfrutavam de sistema hidráulico e de esgoto. E desenvolveram um sistema de escrita que legou à humanidade livros de medicina, botânica, história, matemática e astronomia. Conheça agora, um pouco dessa fascinante história.

 

 

 

 

 

Capítulo I

 O NASCIMENTO DE UMA CIVILIZAÇÃO

 

 

 

COMPLEXIDADE

 

Um dos fatores que dificultam que se conheça mais profundamente a cultura maia antiga é o fato de seu povo ter desenvolvido uma escrita extremamente complexa, da qual só se conhecem alguns hieróglifos. A maioria desses símbolos, infelizmente, permanece e talvez permanecerá para sempre indecifrável.

 

Mesmo assim, sabe-se que civilização maia tem sua origem presumida por volta do quinto milênio antes do nascimento de Jesus Cristo. Ou seja, há aproximadamente sete mil anos. Para outros historiadores, no entanto, sua existência remontaria a apenas três mil anos a.C., o que daria um período de cinco mil anos.

 

 

 

VASTIDÃO

 

O povo maia ocupava um vasto território de quinhentos mil quilômetros quadrados ao sul do México, Guatemala e ao norte de Belize. Hoje, essa área corresponde a nada menos que cinco estados mexicanos. São eles: Campeche, Chiapas, Quintana Roo, Tabasco e Yucatan; e a quatro países da América Central: Belize, El Salvador, Guatemala e Honduras.

 

Toda essa zona é agora conhecida como “Mundo Maia” e nela se encontram vários atrativos: Zonas Arqueológicas, Reservas Ecológicas, Parques Nacionais e uma grande diversidade de paisagens.

 

 

 

IMAGINAÇÃO

 

Quando chegaram à região do atual México no ano de 1519, os conquistadores espanhóis se espantaram com a fantástica descoberta que fizeram quando tomaram contato com os maias. Mais do que isso, confirmaram uma das muitas histórias sobre cidades desconhecidas espetaculares que alimentavam a imaginação e os sonhos dos europeus. Só não esperavam que as civilizações encontradas ali superariam o que a mente humana havia idealizado em livros.

 

Os espanhóis se depararam com riquíssimas cidades que fizeram parte de duas civilizações: os maias e os astecas. Embora não se saiba ao certo qual é a sua origem, descobertas arqueológicas indicam o desenvolvimento de uma das mais notáveis civilizações do Novo Mundo, com uma arquitetura, escultura e a cerâmica bastantes elaboradas.

 

 

 

IDEOGRAMAS

 

Somente um século depois, porém, com a decifração dos ideogramas da escrita maia é que foi possível reconstruir parcialmente a história desse magnífico povo. Sua história pode ser dividida em três períodos: o pré-clássico (1000 a.C.a 317 d.C.), o clássico ou Antigo Império (317 a 889) e o pós-clássico ou Novo Império (também conhecido por “renascimento maia”, até 1697).

 

Dos tempos da idade pré-clássica quase nada se conhece. Vestígios, no entanto, permitem concluir que nessa fase já existia uma estrutura religiosa e social, com uma classe sacerdotal especializada em matemática e astronomia. Provavelmente, foi nessa época que se criou o calendário maia.

 

 

 

CERÂMICA

 

Os maias, então, sobreviveram na idade pré-clássica como agricultores, fabricavam cerâmica – que serviam de ornamentação de cordões – e usavam pedras de moer, o que permite supor a prática da cultura do milho. Suas pequenas comunidades se agrupavam em aldeias chamadas de  kaminaljuyú. Ou nas terras baixas, Altar de sacrifícios e Seibal.

 

Sabe-se que Uaxactum e Tical têm camadas inferiores que remontam ao século V a.C., desde o ano de 300 a.C. Percebem-se lá as características fundamentais da civilização maia: a arquitetura com uma espécie de abóbada em balanço, inscrições hieroglíficas, uso de um calendário “a longo prazo” e ereção de estrelas comemorativas.

 

 

 

CLÁSSICO

 

O chamado Período Clássico entre 250 e 950 d.C. Corresponde ao florescimento de sua cultura e de sua religiosidade. Nessa época, foram construídos os grandes centros cerimoniais, como Tical, Uaxactum e Seibal, na Guatemala; Copán e Honduras, Palenque, Uxmal, Bonampak e Chichén-Itzá, no México etc.

 

As grandes metrópoles religiosas, então eram formadas por construções em forma de edifícios típicos, templos construídos sobre uma plataforma piramidal, cobertos por uma espécie de abóbora em balanço e encimados por uma crista com cumeeira.

 

 

 

GALERIAS

 

Os palácios maias funcionavam essencialmente como residência principesca ou lugar de reunião. Eram dotados de numerosas galerias, cuja disposição aparecia em grupos distintos ligados por calçadas elevadas – construídas em torno de amplas praças, o que atesta certo senso de urbanismo.

 

Havia também nessa paisagem arquitetônica um conjunto monumental monolítico, composto de um altar com estela ornada por uma decoração esculpida.

 

Uma vez que os maias nunca foram reunidos sob hegemonia de um poder central, cada centro conservou um estilo individual.

 

 

 

BASES

 

Coube aos historiadores estabelecerem o fim da idade pré-clássica e o começo da clássica com base nas primeiras datas que puderam ser decifradas nos monumentos descobertos depois da chegada dos espanhóis. A mais antiga é a Tábua de Leida, pequena lâmina de jade encontrada em Uaxactum, talvez o centro mais importante do Antigo Império, que corresponde aproximadamente a 317-320 d.C. Essa data marca o início da idade clássica e o ano de 1697 – o fim do Novo Império – e representa o término da última resistência organizada contra os espanhóis. Crânios construídos pelos maias, um dos maiores enigmas da humanidade. Divididos linguisticamente e espalhados sobre um enorme território, apresentam, no entanto, uma notável homogeneidade na escrita, no sistema de calendário, nas artes plásticas e no simbolismo religioso.

 

 

 

DOMINADOS

 

Os povos maias tiveram organização social e política entre os séculos IV a.C. e IX d.C. Durante os séculos IX e X foram dominados pelos toltecas, da região de Tula. Assim como os maias, eram um povo que possuía avançados conhecimentos de Astronomia e Medicina. Desenhos de deuses, animais e figuras mitológicas preservadas mostram um império que chegou ao fim.

 

Os toltecas eram, na verdade, um povo nômade que habitou o México no século IX. Quem visita as ruínas de Tula nota que a figura do deus-serpente quetzalcoatl aparece a todo instante nas construções do local. No centro da zona arqueológica, onde muitos monumentos foram restaurados, há ruínas de uma pirâmide que servia de suporte para um templo.

 

 

 

MESTRES

 

Os toltecas eram mais altos fisicamente, velozes e mestres. De tal modo que a palavra “tolteca” chegou a significar “artista” entre os astecas. Eram considerados os criadores de toda a cultura e ciência desenvolvida pelos demais povos. Possuíam um elaborado sistema de escrita e consta até que tenham colecionado uma enciclopédia divina, mas nunca foi encontrada a obra.

 

Por volta do século X, abandonaram Tula, mas antes de se retirarem incendiaram e destruíram os vestígios de sua civilização antiga. A confederação maia-tolteca não teve uma duração muito longa: discórdias internas, juntamente com pestes, invasões de outros povos, provocaram o fim do poder centralizado. Seguiu-se uma longa guerra, na qual se destacou um chefe estrangeiro, o asteca Moctezuma, o velho e Maiapan foram destruídos pelos astecas.

 

 

 

BÁRBAROS

 

Com o aprisionamento dos chichimecas, povo bárbaro que deu origem posteriormente ao Império Asteca, aconteceu a queda do Império Tolteca. Seus guerreiros invadiram a cidade de Tula no século XII e acabaram dominando-a por completo.

 

As evidências de guerras e conflitos entre os toltecas e chichimecas podem ser percebidas nas ruínas de monumentos e construções. Os toltecas que sobreviveram à ira dos inimigos fugiram para outras regiões do México. Deixaram para trás um império notável que introduziu na América o calendário, a escrita e o trabalho em metal.

 

 

 

APOGEU

 

A civilização maia se organizou como uma federação de cidades-estado e atingiu seu apogeu no século IV. Nesta época, começou sua expansão, a partir das cidades de Uaxactum e Tical. Os maias fundaram Palenque, Piedras Negras e Copán. Entres os séculos X e XII, destacou-se a Liga de Mayapán, formada pela aliança entre as cidades de Chichén-Itzá, Uxmal e Mayapán.

 

Essa tripla aliança constituiu um império, que teve sob o seu domínio outras 12 cidades. O conjunto da cidade era considerado um templo. Os edifícios eram construídos com grandes blocos de pedra adornados com esculturas e altos-relevos, como os de Uaxactum e Copán.

 

 

 

UNIFICADO

 

Outra informação importante foi que não formavam um império unificado. As cidades constituíam a base da organização político-religiosa, na qual o governo era teocrático. Apenas a família real, os governantes e os servidores de Estado, como sacerdotes e cobradores de impostos, habitavam a zona urbana. Os agricultores e trabalhadores braçais faziam parte das camadas subalternas.

 

Os historiadores distinguem dois grandes períodos na civilização maia, chamada de antigo império e novo império. O antigo império teve seu centro no norte da Guatemala, mas se estendeu pelo sul do México e também por Honduras. O novo império ocupou a metade setentrional da península de Yucatan.

 

 

 

ORGANIZAÇÃO

 

Tamanha foi a sua importância que os maias ficaram conhecidos depois pelos historiadores como os gregos da América. Isso aconteceu por causa de sua organização em cidades independentes. Exatamente como ocorria na antiga Grécia. Por outro lado, jamais constituíram um império. Ainda assim, criaram a mais antiga civilização pré-colombiana anterior à chegada dos europeus no século XV e talvez a mais original e misteriosa.

 

Unificados principalmente pelo culto aos mesmos deuses e pelo idioma comum, eles viviam espalhados pela selva em pequenas aldeias. Erguida por volta do ano 250, Tical foi um importante centro sagrado, habitado apenas por nobres e sacerdotes. O restante da população dirigia-se ao lado durante as festas religiosas que aconteciam na praça principal, onde se encontram pirâmides que têm função de templos.

 

 

 

SOCIEDADE

 

Cada cidade-estado maia era governada por um chefe chamado de halch uinic, que era assistido por um conselho que incluía os principais chefes e sacerdotes. Dentre os chefes, se destacavam o Batab, o civil, e o Nacom, o militar.

 

Pode-se dizer que a organização social dos maias era avançada tanto quanto as importantes civilizações de seu tempo. A classe mais baixa era a dos escravos que formavam a mão-de-obra para a construção de suas colossais pirâmides escalonadas, em cujo topo ficavam os templos consagrados à adoração de vários deuses.

 

A elite era constituída por nobres e sacerdotes que viviam na cidade, considerada centro religioso. Nas cercanias viviam os camponeses e artesãos. A mulher, nesse contexto, ocupava a posição importante na vida social. Suas cidades desfrutavam de sistema hidráulico e de esgoto.

 

 

 

AGRICULTURA

 

Como fonte de subsistência e até de sua economia, os maias praticavam basicamente a agricultura. Suas plantações incluíam três espécies de milho, algodão, tomate, cacau e batata. Cultivavam também o feijão, a abóbora, vários tubérculos, o mamão e o abacate. Nesse processo, desenvolvem avançadas técnicas de irrigação e realizam trocas comerciais.

 

Os maias domesticaram o peru e a abelha, que serviam para enriquecer sua dieta, à qual somavam também a caça e a pesca. É importante observar que por serem os recursos naturais escassos, não lhes garantindo o excedente que necessitavam, a tendência foi desenvolverem técnicas agrícolas, como terraços, por exemplo, para vencer a erosão.

 

 

 

DRENADOS

 

Para obter condições adequadas ao plantio, os mais drenaram seus pântanos. Ao lado desses progressos técnicos, observou-se depois que o cultivo de milho se prendia ao uso das queimadas. Durante os meses da seca, limpavam o terreno, deixando apenas as árvores mais frondosas. Em seguida, ateavam fogo para limpá-los, deixando o campo em condições de ser semeado.

 

Com o uso de um bastão, os agricultores maias faziam buracos na terra onde colocavam as sementes de plantio. Dada a forma com que era realizado o cultivo, a produção se mantinha por apenas dois ou três anos consecutivos. Como desgastes certo do solo, o agricultor era obrigado a procurar novas terras.

 

 

 

PREJUDICIAL

 

Ainda hoje, o recurso da técnica da queimada das matas para plantio, apesar de comprovadamente prejudicar o solo, é utilizada em diversas regiões do continente americano. Inclusive, e muitos municípios do interior do Brasil. As Terras Baixas concentraram uma população densa em áreas pouco férteis.

 

Por causa da produção pequena para as necessidades da população, foi necessário não apenas inovar em termos de técnicas agrícolas, como também importar de outras regiões produtos como o milho, por exemplo. O comércio era dinamizado com produtos como o jade, plumas, tecidos, cerâmicas, mel, cacau e escravos, através das estradas ou de canoas.

 

 

 

DESCOBERTA

 

Foi no século XVII que os espanhóis descobriram a cidade de Tical. Os desbravadores eram missionários que queriam converter tribos que viviam às margens do lago Petén-Itzá. Eles passaram aterrorizados por suas ruínas. À partir desse relato feito pelos religiosos o coronel Modesto Mendez, em 1848, foi procurar a cidade, e quando a encontrou ficou maravilhado com a cultura.

 

Impressiona e se mantém como mistério até hoje o tamanho da pirâmide e dos templos feitos com objetos construtores equivalentes à idade da pedra européia. Além disso, a cidade possuía grandes reservatórios de água. Mais recentemente, os americanos encontraram pirâmides maias na Guatemala com até 45 m de altura na região de Nakbe, com objetos datados de mais ou menos 400 a.C.

 

 

 

ABANDONO

 

Calcula-se que seus tempos de esplendor, no decorrer do século IX d.C., a cidade de Tical chegou a remir uma população com cerca de 50 mil pessoas. Em parte, tal fenômeno habitacional se deve a sua localização no cruzamento de rios que se encontram no caminho entre o Golfo do México e o Mar do Caribe. No ano 900, aproximadamente, o povo abandonou a região, rumo ao norte.

 

Permanecem como um mistério os motivos da partida repentina dos maias em direção ao norte. Acredita-se que o êxodo tenha sido causado por uma epidemia ou pelo aumento da população, gerando escassez de alimentos. Hoje, as pedras de Tical despertam reverência não só de visitantes, mas também de estudiosos que decifram a escrita maia e revelam aos poucos os segredos dessa brilhante civilização.

 

 

 

 

 

Capítulo II

 CIDADES MAIAS

 

 

 

CÁLCULOS

 

A arquitetura maia era algo estreitamente ligados a um culto religioso e determinado por cálculos matemáticos. Sim, era dessa forma. Tanto que as fileiras das pirâmides simbolizavam os níveis do universo: a própria pirâmide representava a montanha do céu, que o sol deve galgar e descer a cada dia. Não por acaso, seus monumentos e edifícios eram erguidos e lugares altos, talvez para aproximá-los das divindades – o deus Sol, a deusa Lua. Mas tinha também uma finalidade defensiva, resguardando os altares. As pedras utilizadas para as construções eram transportadas nos ombros dos escravos, uma vez que não conhecia a roda.

 

No império maia não havia cidades, mas centros de cultos com edifícios, palácios, observatórios, campos de jogo de bola e praças muito distantes uns dos outros, e os camponeses viviam em choças de palha, que contrastavam fortemente com o luxo das construções religiosas e dos palácios dos nobres.

 

As choças erguidas pelos maias não sobreviveram  ao tempo. Sabe-se de sua utilização graças às suas representações uns afrescos dos templos e palácios.

 

 

 

LEGADO

 

A grandiosidade dos maias pode ser hoje constatada graças aos monumentos que deixaram como legado de sua existência. Eles construíram grandes edifícios e pirâmides de pedra. A arquitetura monumental utiliza a pedra na construção de templos, pirâmides e palácios. Um deles é a Pirâmide I ou Templo de Jaguar, considerada a maior das seis pirâmides de Tical.

 

Essa obra tem aproximadamente 70 metros de altura e era, além de templo de homenagem a Itzamna, túmulo dos governantes.  Outro destaque é o Centro Cerimonial de Tical, localizado em meio à exuberante floresta tropical, densa e úmida. Essas pirâmides de pedra de Tical despontam para a surpresa e deleite de quem as vê. Solene, a cidade guarda os vestígios da civilização maia.

 

 

 

CULTO

 

Boa parte da arquitetura maia era devotada ao culto religioso. Suas cidades funcionavam como centros religiosos, enquanto que o povo vivia em choças e casas de adobe. Os templos eram de forma retangular e construído sobre pirâmides truncadas, acessíveis por escadas laterais.

 

Na arte maia, destacavam-se a combinação da arquitetura com a decoração em relevo de estuque e pedra-sabão. O “Caracol” era um observatório astronômico com seteiras voltadas para os planetas Vênus, Marte, Júpiter, Estrela Sírio e Lua. Havia também o “Castelo”, em forma de pirâmide com quatro escadas centrais, cada uma com 90 graus, e mais cinco degraus que levavam até o templo, o que somava 365 graus. Dentre as peças remanescentes dos antigos maias, muitas eram feitas com liga de 960 milésimos de ouro puro e alguns objetos oriundos de regiões distantes. Esses detalhes deixaram claro que eles tinham contato com as culturas ameríndias.

 

 

 

EXTENSÃO

 

Chamado de polegar da América Central. El Salvador esconde no subsolo de uma área de 20,7 mil quilômetros quadrados – aproximadamente a mesma do estado de Sergipe – as riquezas culturais de pelo menos 300 sítios arqueológicos com vestígios dos povos maias ou de seus descendentes escondidos em terras salvadorenhas.

 

Por falta de recursos apenas oito foram recuperados e estão abertos para visitação. Segundo estudiosos, foi a única cultura pré-hispânica que inventou um sistema de escrita perfeito e um calendário astronômico preciso.

 

 

 

PORTA

 

Os salvadorenhos consideram o país a “parte sul do mundo maia” e acreditam que foi a partir de lá que eles se expandiram para os países vizinhos. Grande parte do legado dos maias, dos seus antecessores e descendentes, como os pípiles – originários do próprio país –, foi coberto pelas lavas dos vários vulcões arraigados na região.

 

Além da falta de dinheiro para escavações, os terremotos que assolaram o país têm dificultado ainda mais os trabalhos de recuperação da civilização maia. Dos sítios recuperados, os mais importantes são o Joya de Ceren – o único até agora decretado Patrimônio da Humanidade pela Unesco –, o San Andrés e o Tazumal.  

 

 

 

COMPLEMENTO

 

Entre esses dois sítios, um praticamente complementa o outro, embora datem de épocas distintas. Joya de Ceren, a apenas quarenta quilômetros da capital San Salvador, é uma aldeia onde é possível ter uma idéia de como viviam os maias. Há casas com utensílios domésticos usados na cozinha, camas esculpidas em rochas e até mesmo uma sauna.

 

A aldeia foi soterrada por lavas vulcânica há cerca de 1,4 mil anos. Por isso é chamada de “Pompéia da América”. Acredita-se que os moradores tiveram tempo de escapar das cinzas, pois não foram encontrados vestígios de pessoas, apenas de um pato. O animal estava amarrado pelas patas e seu esqueleto encontra-se agora no Museu Nacional de Antropologia para restauração.

 

 

 

PIRÂMIDE

 

Para os turistas que querem conhecer parte desse rico tesouro histórico, a pirâmide de San Andrés, no vale de Zapotitán, fica a apenas dez minutos de Joya de Ceren. Teria sido habitada por cerca de 12 mil pessoas e era considerada área de comércio e lazer. Há uma arena  onde se jogava uma espécie de basquete, com bolas que eram arremessadas em aros esculpidos nas pedras das paredes.

 

A 80 km da capital, na cidade de Chalchuapa, fica o Tazumal, onde provavelmente os antepassados realizavam ritos religiosos. Do alto de uma pirâmide de 23 metros, era possível avistar todo o vale, as plantações e as vilas próximas. Teve as escadarias interditadas ao público por causa da deterioração.

 

 

 

TERREMOTOS

 

Nota-se em toda a pirâmide rachaduras provocadas pelo tempo e principalmente pelos terremotos. Apesar de sua importância, quem já visitou áreas arqueológicas como Chichén-Itza, no México, talvez fique um pouco decepcionado, pois os sítios salvadorenhos são de pequeno porte e não se leva mais do que duas horas para uma visita completa, incluindo os museus.

 

Por outro lado, devido ao tamanho de seu território, o acesso a qualquer região é fácil e rápido, o que possibilita a visita a várias atrações num mesmo dia. O melhor é recorrer a uma agência turística para fazer os passeios de carro, pois o transporte público não é muito eficiente.

 

 

 

PACAL VOTAN

 

Dentre os lugares que mais atraem atenção dos visitantes que viajam para o México a fim de conhecer suas antigas civilizações é a magia de Palenque. Nesse local foi descoberto o túmulo de Pacal Votan, em 1947.

 

Trata-se do único túmulo em pirâmide, no México, de estilo egípcio. Não há nada em Palenque que não seja impressionante. As esculturas em baixo-relevo da Cruz Folhada e da Cruz do Sol, “eu já os tinha visto” – diz a autora Lucia Pereira.

 

 

 

RUÍNAS DEL REY

 

As ruínas Del Rey formam a maior zona arqueológica de Cancun, localizada no km 19 de Boulevard Kukulkán. Contém praças delimitadas por edifícios e plataformas que se comunicam por um caminho de 200 m. A zona teve o seu auge no período de 1250 a 1521 d.C.

 

 

 

YAMIL-LU-UM

 

É um lugar de dimensões um tanto quanto pequenas. Tem uma praça e está localizado no km 12,5 junto ao Hotel Sheraton.

 

 

 

TULUM

 

Tulum é uma imponente cidade rodeada por muralhas junto ao mar do Caribe. Foi construída entre os anos 250 e 900 d.C. Os seus edifícios mais importantes são o Castelo que se encontra a 12 metros de altura.

 

O “Templo del Dios Descendente”, com a imagem do Itzamna na fachada e o “Templo de los frescos”, com pintura no interior, Tulum é a zona mais visitada do Mundo Maia.

 

 

 

COBÁ

 

Cobá é considerada como uma das mais importantes cidades dos maias. Tinha cerca de 100 km2 . A sua pirâmide Nohoch Mul, com 42 metros de altura e com 120 graus, é a mais alta da península de Yucatan.

 

Os edifícios da cidade estão no meio da selva e o percurso pode ser feito através das calçadas de pedra branca, existindo mais de 50, que servem para fazer a comunicação entre a cidade e as zonas periféricas. O núcleo de Cobá é formado por cinco grupos de grandes edifícios: Cobá, Nohoch Mul, Chumuc Mul, Macanxoc e Uxul-Benuc. de cerimônias. No seu centro, havia uma pirâmide maior, que é o templo do Jaguar, um primor de arquitetura, que certamente foi o centro da cidade, a maior dos maias. Os vestígios arqueológicos demonstram que naquela região existia vilas agrícolas. As evidências são de que havia palácios, mercados, templos religiosos e habitações muito grandes, porque havia conjunto de edifícios em torno da pirâmide.

 

 

 

 

 

Capítulo III

 OS RITOS MAIAS

 

 

 

POLITEÍSTAS

 

Os maias eram adeptos do politeísmo, ou seja, tinha vários deuses, todos vinculados à natureza. A sua religião se assemelhava bastante à de outros povos da região. Eles cultuavam principalmente divindades ligadas à caça, à agricultura e os astros. Para eles, o destino de todo homem era regido pelos deuses. Por isso, para eles, ofereciam alimentos, sacrifícios humanos (de virgens, em especial) e de animais. Os habitantes da “Boca do poço dos feiticeiros d’água” – Chichén-Itzá – se empenhavam com o propósito de desvendar o caminho dos astros para chegar ao coração dos deuses.

 

Conhecida por Akhim, a classe sacerdotal maia se dividia em dois grupos. O primeiro velava o culto. O segundo, entregava-se às artes e às ciências. O povo se empregava com a agricultura e com a construção das obras públicas. Os escravos eram os prisioneiros de guerra ou infratores do direito comum até pagar pelo seu crime.

 

 

 

CONHECIMENTOS

 

Como dedicados estudiosos das estrelas e dos planetas que eram, os “cientistas” maias usavam seus conhecimentos de astronomia para guiar suas vidas espirituais e estabelecer ciclos de colheita na agricultura, numa peculiar combinação entre religião e ciência. Assim, orientavam os agricultores sobre como obter a melhor colheita.

 

Uma as obras mais famosas dessa peculiar civilização, o “Códice de Paris”, escrito no século XIII, contém, com ênfase, horóscopo, profecias e adivinhações. Incapazes de decifrar a linguagem de tais livros na época, os espanhóis do século XVI os consideravam obra de um poder maligno.

 

 

 

MÁSCARAS

 

Em todas as construções deixadas pelos maias pode-se observar figuras, máscaras e esculturas de todo tamanho, talhadas em jade, pedra e madeira, representando deuses e figuras femininas pintados nas mais variadas cores. Objetos nesse formato eram típicas representações de sua arte.

 

O livro mais antigo legado pelos maias tinha a ver com sua religiosidade. Trata-se do Códice Tró-Cortesiano, conservado num museu na Espanha. Trata-se de um volume dividido em duas partes. Na primeira, encontra-se o Códice Troano e foi lido pelo abade de Bourbong. Ele acreditou ter conseguido desvendar a chave dos hieróglifos maias e a história da destruição de Atlântida, sendo que uma parte do povo teria conseguido escapar e formado a civilização maia. O manuscrito foi escrito por volta do século XII ou XIII e tratava de astronomia e astrologia.

 

 

 

SACRIFÍCIOS

 

A cidade de Chichén-Itzá foi fundada no ano 452. Conheceu dias de glória no século X, quando foram construídos o Castelo, o templo dos guerreiros e a quadra de jogo de pelota. Na aridez da região, seu florescimento só foi possível graças aos cenotes, poços de água com função também religiosa.

 

Nos tempos em que a agricultura tinha de enfrentar a seca, os mais ofereciam sacrifícios ao deus da chuva, Chaac, no Cenote Sagrado. Conquistada pelos guerreiros de Mayapán no século XII, Chichén-Itzá estava abandonada quando os espanhóis chegaram. Suas grandes obras ainda mantém o vigor da cultura maia.

 

 

 

CERIMÔNIAS

 

Entre as principais cerimônias religiosas maias estava aquela representada por uma espécie de jogo de futebol. Os jogadores eram prisioneiros de guerra e representavam os astros, e a bola, o sol, fonte da vida. Ao final daquele ritual, todos os atletas perdedores eram punidos pelos sacerdotes com a morte.

 

Dentro da hierarquia religiosa, só podiam subir pouco antes da decadência dos maias.

 

 

 

ANIMAIS

 

O povo maia adorava a natureza. De modo particular, os animais, as plantas e as pedras. Tinham também a característica de cuidar de seus mortos, colocando-os em urnas de cerâmica. Os sacerdotes maias possuíam diversos livros escritos em finas folhas de madeiras cobertas com gesso.

 

Quando os maias foram encontrados por colonizadores espanhóis, um dos aspectos que ajudou a extinção daquela civilização foi o fato de viverem em lutas constantes. Assim, resistiram bravamente à chegada dos estranhos europeus.

 

 

 

LIVROS

 

No processo de exploração e conquista do continente americano, os padres espanhóis descobriram que os índios possuíam livros e resolveram destruí-los para evitar a divulgação de sua cultura. O bispo de Yucatán, D. Diego de Landa, ordenou a apreensão e a queima de centenas de volumes de livros, chamando isso de um auto-da-fé, num dos maiores crimes contra a memória da história humana.

 

Além disso, Landa determinou que a utilização daquela “escrita demoníaca” por qualquer pessoa seria punida com a morte de forma irremediável. Esse mesmo bispo, quando retornou à Espanha, escreveu um relatório intitulado Relación de las Cosas de Yucatán, datado de 1566, para justificar sua ação repressiva. Informou que os livros continham descrições de cerimônias diabólicas e sacrifícios humanos.

 

 

 

ESQUECIMENTO

 

O extenso e importante relatório do bispo ficou esquecido até o ano de 1863, quando foi descoberto pelo sacerdote Charles Etienne Brassuer, um pesquisador interessado nas culturas pré-colombianas. O documento permitiu saber o sistema utilizado pelos maias para a elaboração do calendário e seus numerais.

 

Salvaram-se apenas quatro livros maias da destruição promovida pelos religiosos espanhóis. Três são conhecidos há muito tempo. Um quarto apareceu após a Segunda Guerra Mundial. Esses volumes tratavam de idolatrias que envolviam sacrifícios, entres outras práticas similares.

 

 

 

 

 

PILARES

 

Os maias ergueram uma civilização consolidada sobre os pilares da ciência e da religião. Segundo eles, a sombra de Kukulkán, o deus-serpente, passeia por Chichén-Itzá durante os equinócios de primavera e de outono, quando noite e dia têm a mesma duração. Seu ponto de vista é a principal escadaria do Castelo, uma grande pirâmide erguida em sua honra com base em conhecimentos astronômicos: os degraus das quatro escadarias e da plataforma superior somam 365, número de dias do ano.

 

E não é só isso. Cada um dos lados alinha-se com um dos pontos cardeais e os 52 painéis esculpidos em suas paredes são uma referência aos 52 anos do ciclo de destruição e reconstrução do mundo, segundo a tradição maia.

 

 

 

SACERDOTES

 

Do mesmo modo que civilizações importantes como a egípcia, entre os maias a religião dominava toda a sua vida, como também a organização política e econômica. Apenas os sacerdotes e os nobres viviam na cidade e tinham a propriedade da terra. Os camponeses possuíam apenas o produto de seu trabalho.

 

Dentro da hierarquia desse povo, o solo era demarcado a partir do centro e distribuído entre os chefes de família para ser cultivado. A supremacia da classe sacerdotal e sua importância no planejamento da agricultura assemelham-se ao papel desempenhado por essa mesma classe no Egito antigo.

 

 

 

CONHECEDORES

 

Assim como no Egito, os sacerdotes maias eram os conhecedores da escrita, matemática, astronomia, calendário e, assim, os únicos capazes de determinar as épocas propícias para o preparo do campo, a semeadura e a colheita. Política e administrativamente, o império maia era formado por várias cidades autônomas, semelhantes às cidades-estado gregas.

 

Cada uma delas era governada por um chefe – halch uinin, o “verdadeiro homem”, assistido por um conselho que incluía os principais chefes tribais e os sacerdotes. O batab era o chefe civil da cidade e o nacom, o chefe militar. Os membros da nobreza eram recrutados entre os chefes de famílias locais, por ordem de riqueza.

 

 

 

SACERDOTAL

 

E a classe sacerdotal maia se dividia em dois grupos poderosos e com autoridade. O primeiro era encarregado de promover o culto, e o outro se empenhava na criação das artes e das ciências.

 

 

 

 

 

Capítulo IV

 O CALENDÁRIO MAIA E A ESCRITA

 

 

 

PESQUISA

 

Nos primeiros tempos em que foram desenvolvidas de forma séria pesquisas sobre as origens e o funcionamento da civilização maia, acreditou-se que sua sociedade, por ser tão parecida com a egípcia, era descendente de uma mesma civilização, a Atlântida. Gerou-se, então, um conflito porque os arqueólogos tradicionalistas não aceitaram posições que admitam a existência de Atlântida.

 

Os povos maias entendiam o tempo da mesma forma que o conceito de “Noosfera”, do francês Teilhard de Chardin e do “Num” dos egípcios – espécie de oceano cósmico de onde tudo flui e de onde plasmam todas as formas vivas. Compreenderam o tempo mais do que qualquer outra cultura, percebendo que ele é a quarta dimensão, assim como afirmou Einstein.

 

 

 

LINEAR

 

Para os astrônomos e físicos maias, o tempo não era uma medida linear, com presente, passado e futuro. Era, sim, uma série de ciclos que se repetem, tal como afirmava Pitágoras, no século V a.C. E concebiam a Terra como um ser vivo orgânico, antecipando o pensamento dos ecologistas de nosso século.

 

Assim, os maias se destacaram por criarem um complexo calendário que determina com precisão o ano solar (365 dias), um ano bissexto (366) e um ano sagrado ou venusiano (260 dias). Era superior ao de todos os povos da Antiguidade.

 

 

 

CONHECIMENTOS

 

A concepção dessa idéia foi possível graças aos avançados conhecimentos que possuíam sobre astronomia – eclipses solares e movimentos dos planetas – e da matemática, que lhes permitiram criar um calendário cíclico de notável precisão. Na realidade, são dois calendários sobrepostos: o tzolkin, de 260 dias, e o haab, de 365.

 

O haab era dividido em 18 meses de 20 dias, mais cinco dias livres. Para datar os acontecimentos, os maias utilizavam o que chamavam de “conta curta”, de 256 anos. Ou, então, a “conta longa”, que principiava no início da era maia. Eles também determinaram com notável precisão o ano lunar, a trajetória de Vênus e o ano solar (365, 243 dias).

 

Desse modo, determinaram com exatidão incrível o ano lunar, a trajetória de Vênus e o ano solar (365 dias, 5 h, 48 min e 45 seg). Os maias inventaram um sistema de numeração com base 20 e tinham noção de número zero, ao qual atribuíram um símbolo. Também utilizavam uma escrita hieroglífica que ainda não foi totalmente decifrada.

 

 

 

MATEMÁTICA

 

Um detalhe importante é que a matemática do calendário maia revela a matemática Universal da Quarta Dimensão. Os maias souberam interpretar os ciclos corretos do tempo, da natureza e do cosmos, reconheciam e celebravam pontos de poder no tempo, e, para isso, observavam o céu e consultavam as efemérides, o livros dos dias ou das mudanças, como era designado pelos gregos, onde se registrava o movimento dos planetas.

 

Além de estudar o posicionamento dos astros, eles perceberam mudanças energéticas, que ocorriam em períodos específicos durante o ano; mudanças estas que não se limitavam apenas à alteração da luz e do calor, mas também que aconteciam a níveis bem mais sutis.

 

 

 

ESTAÇÕES

 

Assim, os astrônomos maias demarcavam as quatro estações do ano, e nesses períodos aproveitavam para fazer mudanças sazonais adequadas a cada uma delas, reunindo-se em celebrações que chamavam festivais, os célebres festivais do fogo da Antiguidade.

 

Eles reconheceram também o ciclo das quatro estações da Luz, que, além de os orientar para a plantação e colheita, os ordenava em ritmos internos. Além de ser harmonioso e regular, o Calendário Maia, ou Calendário das 13 Luas, passou a ser usado depois como forma de unificar a humanidade debaixo de um padrão solar genuíno de medida de tempo integrando o ciclo biológico feminino com o ciclo lunar de 28 dias.

 

 

 

ADOÇÃO

 

Adoção do Calendário Mais nos últimos anos do século XX chegou a obter um número expressivo de adeptos. A iniciativa faz parte de um importante plano de Paz para o planeta, desenvolvido pelo Dr. Argüelles e sua esposa, chamado “Pax Cultural – Pax Biosférica”, que, segundo o casal Argüelles, levará cinco anos para ser implementado.

 

Os adeptos do Movimento Mundial de Paz e da Mudança para o Calendário de 13 Luas enviaram a sua proposta aos governantes das mais importantes nações, inclusive a deputados, senadores, ao presidente do Brasil, e também à ONU e ao Vaticano.

 

Nesse momento, os aderentes somam mais de 300 mil em todo o mundo. Quando forem cerca de dois milhões, espera-se ter atingido uma massa crítica necessária para “empurrar” os outros. O resto da população entraria em sintonia pelo processo da ressonância.

 

 

 

HIEROGLÍFICA

 

Diferentemente do que aconteceu com os judeus, a escrita hieroglífica maia não foi inteiramente decifrada. Por isso, muitos segredos dessa civilização não puderam ser revelados. Depois do auto-de-fé dos conquistadores, apenas três manuscritos (Codex) subsistem e são dotados do pós-clássico. O primeiro refere-se a rituais religiosos, o segundo à adivinhação e o último à astronomia, que, sem usar nenhum instrumento óptico, era de uma precisão espantosa.

 

Em seu apogeu, essa civilização – que ignorava a roda e o animal de tração, e só conhecia instrumentos de madeira e de pedra – foi, por razões obscuras, brutalmente interrompida, por volta do século IX, na zona central, que contudo não foi totalmente abandonada.

 

 

 

RENASCIMENTO

 

O pós-clássico da civilização maia, que vai do século X à conquista espanhola, foi marcado um por certo renascimento devido aos toltecas, vindos de Tula. Quando eles chegaram para dominar a civilização maia, por volta do século X, supõe-se que algumas grandes cidades de Yucatan existissem ainda.

 

Com o passar dos séculos, a associação das duas tradições originou um novo estilo artístico “maia-tolteca”, caracterizado por uma arquitetura mais ampla e arejada – colunatas, grandes jogos de bolas e pelo amálgama dos panteões e dos motivos decorativos – Chaac, o deus maia da chuva, representado alternativamente como Quetzalcoatl, a serpente emplumada, transformada em Kukulkán. Chichén-Itzá foi logo substituída por Mayapán, cercada por uma muralha defensiva. Daí em diante, a influência mexicana dominou uma produção artística em franca decadência.

 

 

 

 

 

Capítulo V

 A ARTE DOS MAIAS

 

 

 

INTELECTUAL

 

Sabe-se hoje que a civilização maia se destacou sobretudo pelo seu desenvolvimento intelectual. Tanto que seu sistema de escrito hieróglifo era tão complexo que ainda há sinais não decifrados. O avanço de sua matemática permitiu na astronomia cálculos de exatidão admirável. Conheciam os movimentos do Sol, da Lua, de Vênus e outros planetas.

 

Esse povo deve ter conhecido astronomia mais que muitos outros povos da Antiguidade, pois as ruínas encontradas de alguns observatórios, como Uaxactum e o de Chichén-Itzá, são provas evidentes de seu progresso na prática dessa ciência. Foram ainda os primeiros a usar o algarismo “zero” na numeração.

 

 

 

EXPLORAÇÃO

 

Embora fosse conhecida dos espanhóis desde o século XVI, a cultura maia só começou a ser explorada durante a primeira metade do século XIX, pelo americano John Stephens e pelo desenhista inglês Frederik Catherwood. Eles descobriram várias cidades, sendo que a que mais chamou a atenção foi Chichén-Itzá.

 

Eles publicaram o resultado das pesquisas que fizeram e foi por meio dessas obras que o mundo ficou sabendo que os maias não eram simples índios, mas possuidores de uma complexa organização, construíram magníficas cidades de pedra e desenvolveram uma escrita própria. Essa escrita se encontra nos diversos edifícios construídos.

 

 

 

PORTAS

 

O conhecimento da cultura maia, como já foi dito anteriormente, revelava-se principalmente no terreno intelectual. Mas, devido à complexidade da sua escrita, só foram descobertos e compreendidos até agora os símbolos relativos ao estudo que fizeram do tempo.

 

A arte maia expressa-se, sobretudo, na arquitetura e na escultura. Suas monumentais construções – como a torre de Palenque, o observatório astronômico de El Caracol ou os palácios e pirâmides de Chichén-Itzá, Palenque, Copán e Quiriguá – eram adornadas com elegantes esculturas, estuques e relevos. Podemos contemplar sua pintura nos grandes murais coloridos dos palácios.

 

 

 

CORES

 

Em suas obras, os maias utilizavam várias cores. As cenas criadas por eles tinham motivos religiosos ou históricos. Destacam-se os afrescos de Bonampak e Chichén-Itzá. Também realizavam representações teatrais em que participavam homens e mulheres com máscaras, interpretando animais.

 

O povo maia tem origem incerta, mas há quem acredite que antigas escrituras podem ligá-la ao platônico povo da Atlântida, o mítico continente perdido. A sucessão de descobertas arqueológicas, a partir do século passado, indica o desenvolvimento de uma das mais notáveis civilizações do Novo Mundo, com arquitetura, escultura e cerâmica bastante elaboradas.

 

 

 

ARCAICAS

 

A civilização dos maias, sem dúvida, baseou-se muito nos conhecimentos das culturas arcaicas, anteriores mesmo ao século X a.C. Mas foi a decifração dos ideogramas da escrita maia que permitiu reconstruir parcialmente a história desse povo magnífico.

 

Os cientistas, estudiosos da civilização maia, comprovaram que os antigos fizeram muitas observações do Sol, durante sua passagem pelo zênite, na praça cerimonial de Copán. Essa descoberta reafirma que os maias foram grandes astrônomos e que viveram se período de esplendor entre os anos 250 a 900 d.C.

 

 

 

POSIÇÃO

 

Os maias descobriram que, durante os solstícios e os equinócios, a posição do Sol gera alinhamentos especiais entre os vários monumentos, altares e outras estruturas da principal praça do sítio arqueológico maia de Copán.

 

Hoje, o vale de Copán, como outros sítios arqueológicos, é declarado Patrimônio da Humanidade, resguardando o centro dos cerimoniais da civilização maia, que floresceu na América Central no primeiro da Era Cristã.

 

 

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OS INCAS

 

Fonte: Wikipédia

 

 

A civilização inca foi o resultado de uma sucessão de culturas andinas pré-colombianas e um Estado-nação, o Império Inca (em quíchua: Tawantinsuyu) que existiu na América do Sul de cerca de 1200 até a invasão dos conquistadores espanhóis e a execução do imperador Atahualpa em 1533.

O império incluía regiões desde o extremo norte como o Equador e o sul da Colômbia, todo o Peru e a Bolívia, até o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital do império era a atual cidade de Cusco (em quíchua, "Umbigo do Mundo"). O império abrangia diversas nações e mais de 700 idiomas diferentes, sendo o mais falado o quíchua.

Ribeiro, 1975 considera esse padrão de organização social como "império teocrático do regadio" semelhentes aos formados há mais ou menos dois mil anos na região Mesopotâmia ou às civilizações que se desenvolveram na Índia e China mil anos depois e às civilizações Maias e Astecas na meso-américa. Segundo esse autor, esse tipo de formação imperial, se caracterizam pela tecnologia de irrigação (regadio) desenvolvendo : sistemas de engenharia hidráulica; agricultura irrigada (exceção talvez dos Maias que apenas possuíam o domínio do transporte das águas); metalurgia do cobre e bronze; técnicas de construção (com deslocamento e cortes de pedras até hoje desconhecidos); notação numérica (quipos); escrita ideográfica (no caso dos astecas); técnicas de comunicação, em governos centralizados cuja tecnologias e organização social. No caso dos incas é freqüentemente comparada com o socialismo

 

 

História

 

Antecedentes

Esta cultura já construía pirâmides de até vinte e seis metros de altura e grandes complexos cerimoniais. Parece certo que mais de vinte centros populacionais competiam entre si para produzir a arquitetura mais impressionante.

Há provas de que a cultura do "Norte Chico" tinha religião de culto antropomórfico, praticava a agricultura irrigada e o comércio, notadamente troca de algodão plantado por peixe, com povos das planícies.

Estima-se que por volta de 1800 a.C., este povo deixou a região, possivelmente propagando seus avançados conhecimentos, podendo haver alguma relação com o surgimento da cultura posterior que se estabeleceu no vale do rio Casma. Posteriormente (cerca de 800 a.C.) surge em Chavin de Huantar o embrião do estado teocrático andino; do ano 50 até cerca do ano 700 a civilização mochica floresce, e aproximadamente no ano 1000 explode a cultura Tiahuanaco. O domínio político de Tiwanaku começou a declinar no século 11, e seu império ruiu na primeira metade do século 12. As razões para este colapso ainda não são compreendidos.

Os incas, originários das montanhas do Peru, expandiram o seu controle a quase toda região dos Andes. A civilização inca alcançou o seu apogeu no século XV, sob Pachacuti. Entre as suas realizações culturais está a arquitetura, a construção de estradas, pontes e engenhosos sistemas de irrigação.

A história da civilização inca pode ser dividida em períodos e/ou culturas que se sucederam, sendo complexa a sua datação como pode ser visto na literatura existente, fundamentando-se em descobertas arqueológicas, pesquisas de documentos históricos e análises etnográficas. A linha do tempo que se segue é uma adaptação das pesquisas dos historiadores Coe; Michael e Longhena; Alva.

 

Linha do tempo

4000 – 1800 a.C. – Período pré-cerâmico (nômades caçadores, tecelões)

Introdução ao cultivo do algodão estimada entre 3500 - 2500 a.C.

2000 1400 a.C. - Período Inicial (cerâmico inicial)

- Cultura de Valdívia (domesticação do milho – 1800 a.C.)

1000 (900) – 200 a.C. Horizonte inicial

- Cultura Chavín(1500 a.C. até 500)

200 a.C. – 700 – Primeiro período intermediário

- Cultura Moche (Mochica ou Proto-Chimu) 100 a. C. e o ano 800.

- Cultura Nazca(300 AC e 800)

700 – 1000 (500 – 1.000) Horizonte médio (civilizações urbanas)

Cultura Tiahuanaco (Tiwanaku) apogeu Aymara entre 300 e 1000.

Cultura de Huari (Wari) 500 até 1200

1000 – 1450 – Segundo período intermediário

Cultura Chimu (reinado do século X ao XV) construção da cidade de Chan Chan

Cultura dos Sicáns (800-1300) no atual Deserto de Nazca

1450 – 1533 Horizonte tardio (Horizonte Incas)

 

O inca Pachacuti chegou ao poder em 1438 e fez de Cusco (Qosqo, em quíchua, "Umbigo do Mundo" o centro espiritual e político do Tawantinsuyu tinha como área central a região que hoje corresponde ao Norte do Chile, Sul da Colômbia e os territórios da Bolívia, Peru e Equador, abrangendo uma população estimada entre 10 e 30 milhões de habitantes. Em 1531 Francisco Pizarro (1476 -1541), o conquistador espanhol chegou à região

 

 

Expansão do Império Inca

 

O imperador Pachacuti foi o homem mais poderoso da antiga América já que enviou várias expedições para conquista de terras. Quando os oponentes se rendiam eram bem tratados mas quando resistiam havia pouca clemência. Com as conquistas, Pachacuti acrescentava não apenas mais terras ao seu domínio como guerreiros sob seu comando. Sendo talentoso diplomata, antes das invasões, Pachacuti enviava mensageiros para expor as vantagens de os povos conquistados se unirem pacificamente ao império Inca. O acordo proposto era de que, se os dominados cedessem suas terras, manteriam um controle local exercido pelos dignitários locais que seriam tratados como nobres do Império e os seus filhos seriam educados em troca da integração ao Império e plena obediência ao Inca.

Os incas tinham um exército muito bem treinado e organizado. Quando os incas conquistavam um lugar, o povo era submetido a tributação pela qual prestavam serviços designados pelos conquistadores. Os incas encorajavam as pessoas a se juntarem ao Império e quando isto ocorria eram sempre bem tratadas. Serviços postais eram então estabelecidos por mensageiros (chasquis) que entregavam mensagens oficiais entre as maiores cidades. Notícias também eram veiculadas pelo sistema Chasqui na velocidade de 125 milhas por dia. Os incas também promoviam a mudança de populações conquistadas como parte da criação a "Rodovia Inca", que foi idealizada para ser usada nas guerras, para o transporte de bens e outros propósitos. Esta troca de populações (manay) acabou promovendo a troca de informações e propagação da cultura Inca. Todo o Império Inca foi unido por excelentes estradas e pontes. Sua extensão máxima era de 4.500 km de comprimento por 400 km de largura, o que dava 1.800.000 km² de extensão.

O período de máxima expansão do Império Inca ocorre a partir do ano 1450 quando chegou a cobrir a região andina do Equador ao centro do Chile, com mais de 3000 quilômetros de extensão.

 

 

 

A conquista espanhola

 

Antecedentes

Quando Huayna Capac se tornou o imperador inca, houve uma guerra de sucessão que algumas fontes sustentam que durou cerca de doze anos. A causa alegada dessa guerra é que Huayna teria sido muito cruel com o povo.

Rumores se espalharam pelo Império Inca como fogo sobre um estranho "homem barbado" que "vivia numa casa no mar" e tinha "raios e trovões em suas mãos". Este homem estranho começava a matar muitos dos soldados incas com doenças que trouxera.

Quando Huayna Capac morreu, o império estava desgastado e ocorreu uma disputa entre seus dois filhos. Cuzco, que era a capital, havia sido dada para o suposto novo imperador Huascar, que foi considerado como pessoa horrível, violento e quase louco atribuindo-se a ele o assassinato da própria mãe e da sua irmã que forçara a desposá-lo.

Atahualpa reivindicava ser o filho favorito de Huayna Capac, posto que a ele fora dado o território ao norte de Quito (cidade moderna do Equador) razão porque Huascar teria ficado muito bravo.

A guerra civil de sucessão se travou entre os dois irmãos, chamada Guerra dos Dois Irmãos, na qual pereceram cerca de cem mil pessoas.

Depois de muita luta, Atahualpa derrotou Huascar e então, conta-se, era Atahualpa que estava enlouquecido e violento, tratando os perdedores de forma horrível. Muitos foram apedrejados (nas costas) de forma a ficarem incapacitados, nascituros eram arrancados dos ventres das mães, aproximadamente 1500 membros da família real, incluindo os filhos de Huascar foram decapitados e tiveram seus corpos pendurados em estacas para exibição. Os plebeus foram torturados.

Atahualpa pagou um terrível preço para tornar-se imperador. Seu império estava agora abalado e debilitado. Foi neste momento crítico que o "homem barbado" e seus estranhos chegaram, cena final do Império Inca.

Este estranho homem barbudo veio a ser Francisco Pizarro e seus espanhóis da "Castilla de Oro" que capturaram Atahualpa e seus nobres em 16 de novembro, do ano de 1532.

 

A dominação espanhola

Atahualpa estava em viagem quando Francisco Pizarro e seus homens encontraram o seu acampamento. Pizarro enviou um mensageiro a Atahualpa perguntando se podiam se reunir. Atahualpa concordou e se dirigiu ao local onde supostamente iriam conversar e quando lá chegou, o local parecia deserto. Um homem de Pizarro, Vicente de Valverde interpelou Atahualpa para que ele e todos os incas se convertessem ao cristianismo, e se ele recusasse, seria considerado um inimigo da Igreja e de Espanha.

Como era esperado, Atahualpa discordou, o que foi considerado razão suficiente para que Francisco Pizarro atacasse os incas. O exército espanhol atacou e matou os soldados da comitiva de Atahualpa e, embora pretendesse matar o Inca, aprisionou-o, pois tinha planos próprios.

Uma vez feito prisioneiro, Atahualpa não foi maltratado pelos espanhóis, que permitiram que ele ficasse em contacto com seu séquito. O imperador inca, que queria libertar-se, fez um acordo com Pizarro. Concordou em encher um quarto com peças de ouro e outro um com peças de prata em troca da sua liberdade. Pizarro não pretendia libertar Atahualpa mesmo depois de pago o resgate porque necessitava de sua influência naquele momento para manter a ordem e não provocar uma reação maior dos incas que acabavam de tomar conhecimento dos espanhóis.

Além disto, Huáscar ainda estava vivo e Atahualpa, percebendo que ele poderia representar um governo fantoche mais conveniente para a dominação por Pizarro, ordenou a execução de Huáscar. Com isto, Pizarro sentiu a frustração de seus planos e acusou Atahualpa de doze crimes, sendo os principais o assassínio de Huáscar, prática de idolatria e conspiração contra o Reino de Espanha, sendo julgado culpado por todos os crimes condenado a morrer queimado.

Já era noite alta quando Francisco Pizarro decidiu executar Atahualpa. Depois de ser conduzido ao lugar da execução, Atahualpa implorou pela sua vida. Valverde, o padre que havia presidido o processo propôs que, se Atahualpa se convertesse ao cristianismo, reduziria a sentença condenatória. Atahualpa concordou em ser batizado e, em vez de ser queimado na fogueira, foi morto por estrangulamento no dia 29 de agosto de 1533. Com a sua morte também acabava a "existência independente de uma raça nobre".

A morte de Atahualpa foi o começo do fim do Império Inca.

A instabilidade ocorreu rapidamente. Francisco Pizarro nomeou Toparca, um irmão de Atahualpa, como regente fantoche até a sua inesperada morte. A organização inca então se esfacelou. Remotas partes do império se rebelaram e nalguns casos formavam alianças com os espanhóis para combater os incas resistentes. As terras e culturas foram negligenciadas e os incas experimentaram uma escassez de alimentos que jamais tinham conhecido. Agora os incas já haviam aprendido com os espanhóis, o valor do ouro e da prata e a utilidade que antes desconheciam e passaram a pilhar, saquear e ocultar tais símbolos de riqueza e poder. A proliferação de doenças comuns da Europa para as quais os incas não tinham defesa se disseminaram e fizeram o seu papel no morticínio de centenas de milhares de pessoas.

O ouro e a prata tão ambicionados por Pizarro e os seus homens estava em todo o lugar e nas mãos de muitas pessoas, subvertendo a economia com a enorme inflação. Um bom cavalo passou a custar $7000 até que, por fim, os grãos e gêneros alimentícios acabaram mais valiosos que o precioso ouro dos espanhóis. A grande civilização inca, tal como conhecida, já não existia.

 

Após a conquista espanhola

O Império Inca foi derrubado por menos de duzentos homens e vinte e sete cavalos mas também por milhares de ameríndios que se juntaram às tropas espanholas por descontentamento em relação ao tratamento dado pelo Império Inca. Francisco Pizarro e os espanhóis que o seguiram oprimiram os incas tanto material como culturalmente, não apenas explorando-os pelo sistema de trabalho de "mitas" para extração da prata Potosí, como reprimindo as suas antigas tradições e conhecimentos. No que se refere à agricultura, por exemplo, o abandono da avançada técnica agrícola inca acabou instalando uma persistente era de escassez de alimentos na região.

Uma parte da herança cultural foi mantida, tratando-se das línguas quíchua e aimará, isto porque a Igreja Católica escolheu estas línguas nativas como veículo da evangelização dos incas, daí passarem a escrevê-las com caracteres latinos e ensiná-las como jamais ocorrera no Império Inca, fixando-as como as línguas mais faladas entre as dos ameríndios.

Mais tarde, a exploração opressiva foi objeto de uma rebelião cujo líder Tupac Amaru considerado o último inca, acabou inspirando o nome do movimento revolucionário peruano do século XX, o MRTA, e o movimento uruguaio dos Tupamaros. A história de planeamento econômico dos incas e boas doses de maoísmo são também a inspiração revolucionária do atual movimento Sendero Luminoso no Peru.

 

 

 

Economia

 

 

O Império Inca tinha uma organização econômica de caráter próximo ao modo de produção asiático, na qual todos os níveis da sociedade pagavam tributos ao imperador, conhecido como O Inca. O Inca era divinizado sendo carregado em liteiras com grande pompa e estilo. Usava roupas, cocares e adornos especiais que demonstravam sua superioridade e poder. Ele reivindicava seu poder dizendo-se descendente de deuses (origem divina do poder real). Abaixo d'O Inca havia quatro principais classes de cidadãos.

A primeira era a família real, nobres, líderes militares e líderes religiosos. Estas pessoas controlavam o Império Inca e muitos viviam em Cusco. A seguir, estavam os governadores das quatro províncias em que o Império Inca era dividido. Eles tinham muito poder pois organizavam as tropas, coletavam os tributos cabendo-lhes impor a lei e estabelecer a ordem. Abaixo dos governadores estavam os oficiais militares locais, responsáveis pelos julgamentos menos importantes e a resolução de pequenas disputas podendo inclusive atribuir castigos. Mais abaixo estavam os camponeses que eram a maioria da população.

Entre os camponeses, a estrutura básica da organização territorial era o ayllu. O ayllu era uma comunidade aldeã composta por diversas famílias cujos membros consideravam possuir um antepassado comum (real ou fictício). A cada ayllu correspondia um determinado território. O kuraca era o chefe do ayllu. Cabia-lhe a distribuição das terras pelos membros da comunidade aptos para o trabalho.

Havia três ordens de trabalhos agrícolas:

  • realizados em benefício do Inca e da famíia real;
  • destinados à subsistência da família, realizados no pedaço de terra que lhe cabia;
  • realizados no seio da comunidade aldeã, para responder às necessidades dos mais desfavorecidos.

De fato, o sistema de ajuda entre as famílias estava muito desenvolvido. Para além das terras colectivas, havia reservas destinadas a minorar as carências em tempos de fome ou a serem usadas sempre que a aldeia era visitada por uma delegação do Inca.

Outro dos deveres de cada membro da comunidade consistia em colaborar nos trabalhos colectivos, como por exemplo a manutenção dos canais de irrigação.

Os nobres foram chamados pelos espanhóis de "orelhões", devido à impressão que tiveram de suas enormes orelhas, aumentadas pelos grandes pendentes que usavam. Os "orelhões" eram educados em escolas especiais durante quatro anos. Eles estudavam a língua quíchua, religião, quipos, história, geometria, geografia e astronomia. Ao terminar os estudos, eles se graduavam em uma cerimônia solene, onde demonstravam sua preparação passando em algumas provas.

Eles se vestiam de branco e se reuniam na Praça de Cusco. Todos os candidatos tinham o cabelo cortado e levavam na cabeça um llauto negro com plumas. Depois de rezarem ao sol, lua e ao trovão, eles subiam a colina de Huanacaui, onde ficavam em jejum, participavam de competições e dançavam.

Mais tarde, o Inca lhes entregava umas calças justas, um diadema de plumas e um peitoral de metal. Finalmente ele perfurava a orelha de cada um pessoalmente com uma agulha de ouro, para que pudessem usar seus pendentes característicos, próprios de sua categoria.

Os "orelhões" tinham vários privilégios, entre eles a posse de terras e a poligamia. Eles recebiam presentes do monarca, tais como mulheres, lhamas, objetos preciosos, permissão para usar liteiras ou trono.

Eles constituíam os funcionários do Império. Em primeiro lugar estavam os quatro apu, ou administradores das quatro partes do Império que assessoravam diretamente o Imperador. Abaixo deles estavam os tucricues, ou governadores das províncias que residiam em suas capitais, e eram periodicamente inspecionadas.

Os incas incumbiam os dominados do trabalho que cada um deveria executar, o quanto e qual terra poderiam cultivar e quão longe poderiam viajar. Depois de se adaptar a tais regras, eram bem vistos pelos dominadores.

Se um inca era acusado de furto mas isto não era provado, o próprio oficial local incumbido de manter a ordem era punido por não fazer seu trabalho corretamente.

Inválidos e incapazes eram auxiliados a prover sua subsistência com trabalho. Às mulheres casadas eram distribuídas meadas de lã para confecção de roupas.

Todos os incas eram obrigados a trabalhar para o Império e para os seus deuses domésticos (mita).

Os incas não tinham liberdade de viajar e os filhos sempre tinham de seguir o ofício dos pais. O Império Inca foi dividido em quatro partes. Todas as atividades dos habitantes eram supervisionadas pelos funcionários do Império.

Moeda

Os incas não usavam dinheiro propriamente dito. Eles faziam trocas ou escambos nos quais mercadorias eram trocadas por outras e mesmo o trabalho era remunerado com mercadorias e comida. Serviam como moedas sementes de cacau e também conchas coloridas, que eram consideradas de grande valor.

Agricultura

No apogeu de civilização inca, cerca de 1400, a agricultura organizada espalhou-se por todo o império, desde a Colômbia até o Chile, com o cultivo de grãos comestíveis da planície litorânea do pacífico, passando pelos altiplanos andinos e adentrando na planície amazônica oriental.

Calcula-se que os incas cultivavam cerca de setecentas espécies vegetais. A chave do sucesso da agricultura inca era a existência de estradas e trilhas que possibilitavam uma boa distribuição das colheitas numa vasta região.

As principais culturas vegetais eram as batatas (semilha), batatas doce (batatas), milho, pimentas, algodão, tomates, amendoim, mandioca, e um grão conhecido como quinua.

O plantio era feito em terraços e já usavam a adiantada técnica das curvas de nível sendo os primeiros a usar o sistema de irrigação.

Os incas usavam varas afiadas e arados para revolver o solo, e usavam também a lhama para transporte das colheitas, embora tais animais fornecessem também lã para fazer tecidos, mantas e cordas, couro e carne.

Ervas aromáticas e medicinais também eram plantadas e as folhas de coca, eram reservadas para a elite. Toda a produção agrícola era fiscalizada pelos funcionários do império.

Caça

Os incas usavam o arco de flechas e zarabatanas para caçar animais como cervos, aves e peixes que lhes forneciam carne, couro e plumas que usavam em seus tecidos. A caça era coletiva e o método mais usual era de formar um grande círculo que ia se fechando sobre um centro para onde iam os animais.

 

Sociedade

 

Em Cusco em 1589, Don Mancio Serra de Leguisamo – o último sobrevivente dos primeiros conquistadores do Peru – escreveu no preâmbulo de seu testamento o seguinte, em partes:

“Encontramos esses reinos em tal bom estado, e os Incas os governavam de maneira tão sabia, que entre eles não havia um ladrão ou um viciado, não havia uma adúltera, ou sequer uma mulher má admitida entre eles, não havia tampouco pessoas imorais. Os homens tinham ocupações honestas e úteis. As terras, florestas, minas, pastos, casas e todos os tipos de produtos eram controlados e distribuídos de tal forma que cada um sabia o que lhe pertencia, sem que outro tomasse ou ocupasse algo alheio, ou fizesse queixas a respeito… o motivo que me obriga a fazer estas declarações é a libertação da minha consciência, visto que me considero culpado. Pois destruímos, com nosso mal exemplo, as pessoas que tinham tal governo como o que era desfrutado por esses nativos. Eram tão livres do cometimento de crimes ou excessos, tanto os homens quanto as mulheres, que o índio que tinha 100.000 pesos em ouro e prata em sua casa a deixava aberta, meramente deixando uma pequena vara contra a porta, como sinal de que seu mestre estava fora. Com isso, de acordo com seus costumes, ninguém poderia entrar ou levar algo que estivesse ali. Quando viram que colocávamos cadeados e chaves em nossas portas, supuseram que fosse por medo deles, para que eles não nos matassem, mas não porque acreditassem que alguém poderia roubar a propriedade de outro. Assim, quando descobriram que havia ladrões entre nós, e homens que buscavam fazer as suas filhas cometerem pecados, nos desprezaram,”

Infância

A infância de um inca pode parecer severa para os padrões atuais. Ao nascer, os incas lavavam o bebê com água fria e o embrulhavam numa manta e o colocavam em uma cova feita no chão. Quando a criança alcançava um ano de idade, se esperava que andasse ou ao menos engatinhasse sem qualquer ajuda. Aos dois anos de idade, as crianças eram submetidas a ritual no qual se lhes cortavam os cabelos, determinando assim o fim da infância. Desde então, os pais esperavam que os filhos ajudassem em tarefas ao redor da casa. A partir daí as crianças eram severamente castigadas quando se portavam mal. Aos quatorze anos os meninos eram vestidos com uma tanga sendo então declarados adultos. Os meninos mais pobres eram submetidos a vários testes de resistência e de conhecimento, ao fim dos quais lhes eram atribuídos adornos (brincos) coloridos e armas. As cores dos brincos determinavam o lugar hierárquico que ocupariam na sociedade.

 

 

Cultura

Religião

.Os Incas eram extremamente religiosos e viam o Sol e a Lua como entidades divinas às quais suplicavam suas bençãos, fosse para melhores colheitas, fosse para o êxito em combates com grupos rivais. O deus Sol (Inti) era o deus masculino e acreditavam que o Rei descendia dele. Atribuíam ao deus Sol qualidades espirituais, transmitidas à mente pela mastigação da folha de coca, daí as profecias que justificaram a criação de templos sagrados construídos nas encostas íngremes das montanhas andinas.

Os incas construíram diversos tipos de casas consagradas às suas divindades. Alguns dos mais famosos são o Templo do Sol em Cusco, o templo de Vilkike, o templo do Aconcágua (a montanha mais alta da América do Sul) e o Templo do Sol no Lago Titicaca. O Templo do Sol, em Cusco, foi construído com pedras encaixadas de forma fascinante. Esta construção tinha uma circunferência de mais de 360 metros. Dentro do templo havia uma grande imagem do sol. Em algumas partes do templo havia incrustações douradas representando espigas de milho, lhamas e punhados de terra. Porções das terras incas eram dedicadas ao deus do sol e administradas por sacerdotes.

Os sumo-sacerdotes eram chamados Huillca-Humu, viviam uma vida reclusa e monástica e profetizavam utilizando uma planta sagrada chamada huillca ou vilca (Acácia cebil) com a qual preparavam uma chicha de propriedades enteógenas que era bebida na "Festa do Sol", Inti Raymi. A palavra quíchua Huillca significa, simplesmente, algo "santo", "sagrado".

Lugares sagrados

A religião era politeísta, constituída de forças do bem e do mal. O bem era representado por tudo aquilo que era importante para o homem como a chuva e a luz do Sol, e o mal, por forças negativas, como a seca e a guerra.

Os huacas, ou lugares sagrados, estavam espalhados pelo território inca. Huacas eram entidades divinas que viviam em objetos naturais como montanhas, rochas e riachos. Líderes espirituais de uma comunidade usavam rezas e oferendas para se comunicar com um huaca para pedir conselho ou ajuda.

Sacrifícios

Os incas ofereciam sacrifícios tanto humanos como de animais nas ocasiões mais importantes, maioria das vezes em rituais ao nascer do sol. Grandes ocasiões, como nas sucessões imperiais, exigiam grandes sacrifícios que poderiam incluir até duzentas crianças. Não raro as mulheres a serviço dos templos eram sacrificadas, mas a maioria das vezes os sacrifícios humanos eram impostos a grupos recentemente conquistados ou derrotados em guerra, como tributo à dominação. As vítimas sacrificiais deviam ser fisicamente íntegras, sem marcas ou lesões e preferencialmente jovens e belas.

De acordo com uma lenda, uma menina de dez anos de idade chamada Tanta Carhua foi escolhida pelo seu pai para ser sacrificada ao imperador inca. A criança, supostamente perfeita fisicamente, foi enviada a Cuzco onde foi recebida com festas e honrarias para homenagear-lhe a coragem e depois foi enterrada viva em uma tumba nas montanhas andinas. Esta lenda prescreve que as vítimas sacrificiais deveriam ser perfeitas, e que havia grande honra em conhecerem e serem escolhidas pelo imperador, tornando-se, depois da morte, espíritos com caráter divino que passariam a oficiar junto aos sacerdotes. Antes do sacrifício, os sacerdotes adornavam ricamente as vítimas e davam a ela uma bebida chamada chicha, que é um fermentado de milho, até hoje apreciada.

Festivais

Os incas tinham um calendário de trinta dias, no qual cada mês tinha o seu próprio festival.

Os meses e celebrações do calendário são os seguintes:

 

Mês Gregoriano

Mês Inca

Tradução

Janeiro

Huchuy Pacoy

Pequena colheita

Fevereiro

Hatun Pocoy

Grande colheita

Março

Pawqar Waraq

Ramo de flores

Abril

Ayriwa

Dança do milho jovem

Maio

Aymuray

Canção da colheita

Junho

Inti Raymi

Festival do Sol

Julho

Anta Situwa

Purificação terrena

Agosto

Qapaq Situwa

Sacrifício de purificação geral

Setembro

Qaya Raymi

Festival da rainha

Outubro

Uma Raymi

Festival da água

Novembro

Ayamarqa

Procissão dos mortos

Dezembro

Qapaq Raymi

Festival magnífico

Costumes funerários

Os incas acreditavam na reencarnação. Aqueles que obedeciam à regra, ama sua, ama llulla, ama chella (não roube, não minta e não seja preguiçoso), quando morressem iriam viver ao calor do sol enquanto os desobedientes passariam os dias eternamente na terra fria.

Os incas também praticavam o processo de mumificação, especialmente das pessoas falecidas mais proeminentes. Junto às múmias era enterrado uma grande quantidade de objetos do gosto ou utilidade do morto. De suas sepulturas, acreditavam, as múmias mallqui poderiam conversar com ancestrais ou outros espíritos huacas daquela região. As múmias, por vezes eram chamadas a testemunhar fatos importantes e presidir a vários rituais e celebrações. Normalmente o defunto era enterrado sentado.

 

Os quipos

 

Se bem que o império fosse muito centralizado e extremamente estruturado – e até, pode dizer-se, burocrático –, não havia um sistema de escrita. Para gerir o império eram utilizados os quipos (ou quipus), cordões de lã ou outro material onde eram codificadas mensagens.

Destinavam-se os quipos a manterem estatísticas permanentemente actualizadas. Regularmente procedia-se a recenseamentos da população extremamente completos (por exemplo, número de habitantes por idade e sexo). Registava-se ainda o número de cabeças de gado, os tributos pagos por outros povos ou a eles devidos, os movimentos de entrada e saída de mercadorias dos armazéns estatais, etc. Mediante os registos procurava-se equilibrar a oferta e a procura, numa tentativa de planificação da economia.

Mais concretamente, o quipo é constituído por um cordão a que se ligam cordões menores de diferentes cores, tanto paralelamente como partindo de um ponto comum. Os números eram dados pelos nós e as significações pelas cores.

Os nós das extremidades inferiores representam as unidades. Acima ficam as dezenas, mais acima as centenas e, por último, os milhares e as dezenas de milhar. Saliente-se que, para além de utilizarem o sistema decimal, os incas conceberam o equivalente do zero: um intervalo maior entre os nós, ou seja, um sítio vazio. Ignora-se o significado dos nós complexos, porventura reservados aos múltiplos.

Quanto às cores, indicavam os significados ou qualidades. Mas como o número de cores e seus matizes é limitado, muito inferior ao número de objectos a recensear, o significado das cores variava de acordo com a significação geral do quipo. Era pois necessário conhecer a significação geral do quipo para se poder interpretá-lo. Por exemplo: o amarelo referia-se ao ouro nas estatísticas referentes aos despojos de guerra e ao milho nas referentes à produção agrícola.

A fim de facilitar a leitura, as pessoas e coisas eram dispostas de acordo com uma hierarquia definida. Assim, nos quipos demográficos, os homens ocupavam o primeiro lugar, seguidos das mulheres e, por fim, das crianças. Nos recenseamentos de armas a ordem era a seguinte: lanças, flechas, arcos, zagaias, clavas, achas e fundas.

A ausência de cordão secundário ao longo do principal, assim como a falta de uma cor, possuía determinado significado, exactamente como acontecia com a ausência de nó no cordão (zero).

Os intérpretes dos quipus, os quipucamayucs (ou seja, "guardiães dos quipos"), possuíam uma excelente memória, cuja fidelidade era assegurada por um processo radical: qualquer erro ou omissão era punido com a pena de morte. Cada quipucamayuc especializava-se na leitura de determinada categoria de cordões: religiosos, militares, económicos, demográficos, etc. Cabia-lhes igualmente instruir os seus filhos, para que estes mais tarde lhes sucedessem.

Para melhor fixar as narrativas, o quipucamayuc cantava-as, como uma melopéia.

Os quipos serviam ainda para o registo de factos históricos e ritos mágicos. No entanto, ao contrário dos estatísticos, estes quipus ainda não foram decifrados.

Medicina

Os médicos historiadores Lyons e Petrucelli descrevem as culturas pré-colombianas como sistemas de intrincadas misturas de religião, magia e empirismo semelhantes ao das sociedades arcaicas. A medicina Inca conhecida por suas sobrevivências e relatos de cronistas, reuniu pelo menos 1.400 espécies de vegetais (Pamo-Reyna), técnicas cirúrgicas e especializações médicas os hampi-camayok e oquetlupcuc ou sirac (donos de medicamentos e cirurgiões) Thorwald.

Os incas fizeram muitas descobertas farmacológicas. Usavam o quinino no tratamento da malária com grande sucesso. As folhas da coca eram usadas de modo geral como analgésicos, e para diminuir a fome, embora os mensageiros Chasqui as usassem para obter energia extra. Outra terapia comum e eficiente era o banho de ferimentos com uma cocção de casca de pimenteiras ainda morna.

Entre as práticas médicas dessa civilização que ainda intrigam os pesquisadores está o procedimento cirúrgico conhecido como trepanação realizado com mais freqüência em homens adultos, (provavelmente para tratar os ferimentos sofridos durante o combate). Ainda hoje, procedimento similar é realizado para aliviar a pressão causada pelo acúmulo de fluidos após trauma craniano grave. Há evidências que as técnicas cirúrgicas foram padronizadas e aperfeiçoadas ao longo do tempo, face ao fato de que os crânios mais antigos não mostrarem nenhum sinal da consolidação óssea, após a operação, sugerindo que o procedimento foi provavelmente fatal. ao contrário dos encontrados mais recentemente cujas taxas de sobrevivência se aproximou de 90% , com níveis de infecção muito baixo, segundo os pesquisadores.

Música

Os incas tocavam música em tambores e instrumentos de sopro que incluem as flautas, flauta de pan, quena e trombetas feitas de conchas marinhas ou de cerâmica.

Arte e artesanato

Os incas produziam artefatos destinados ao uso diário ornados com imagens e detalhes de deuses. Era comum na cultura inca o uso de formas geométricas abstratas e representação de animais altamente estilizados no feitio de cerâmicas, esculturas de madeira, tecidos e objetos de metal. Eles produziam belos objetos de ouro e as mulheres produziam tecidos finos com desenhos surpreendentes.

Culinária

A comida inca consistia principalmente de vegetais, pães, bolos, mingaus de cereais (notadamente de milho ou aveia), e carne (assados ou guisados), comumente de caititus (porcos selvagens) e de lhama. Apesar da dieta dos incas ser muito variada, havia muitas diferenças entre os alimentos consumidos pelos diversos setores da sociedade.

A gente do povo só comia duas refeições por dia. O prato comum dos Andes era o chuño, ou farinha de batata desidratada. Adicionava-se água, pimentão ou pimenta, e sal para então servir. Eles também preparavam o locro com carne seca ou cozida, com muito pimentão, pimenta, batatas e feijão. Eles comiam ainda grandes quantidades de frutas, como a pêra picada ou o tarwi. O milho era bastante consumido e era preparado fervido ou torrado.

Os nobres e a família real se alimentavam muito melhor do que o povo. Na mesa do Inca não podia faltar carne, mas era escassa para o povo. Ele comia carne de lhama, de vicunha, patos selvagens, perdizes da puna, rãs, caracóis e peixe.

A refeição começava com frutas. Depois vinham as iguarias, apresentadas sobre uma esteira de juncos trançados eram estendidos no solo. O Inca se acomodava em seu assento de madeira, coberto com uma tela fina de lã e indicava o que lhe agradava. Daí, uma das mulheres de seu séqüito o servia em um prato de barro ou de metal precioso, que segurava entre suas mãos enquanto o Inca comia. As sobras e tudo que o Inca havia tocado, devia ser guardado em um cofre e queimado logo depois, dispersando as cinzas.

Vestuário

O homem inca usava uma túnica sem mangas que descia à altura do joelho e às vezes uma pequena capa. A mulher inca tinha diversas roupas que a cobriam integralmente e frequentemente usavam sandálias de couro. Nas estações mais frias todos usavam longos mantos de lã sobre os ombros presos por alfinetes na frente.

Os incas gostavam de se adornar. Quanto mais ricos e elaborados os tecidos mais dispendiosos e caros, e acabavam por demonstrar o nível social do usuário.

Os incas usavam seus gorros de lã com cores tribais que designavam-lhes as origens.

Os homens incas usavam muito mais joias que as mulheres. Os mais ricos usavam pulseiras de ouro e brincos enormes, quanto maior o brinco mais importante era a pessoa que o usava. Os guerreiros usavam colares feitos com os dentes de suas vítimas.

 

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Pesquisa e montagem: José Antonino de Lima 

 

 

 

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